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ABMS apresenta compilação do conhecimento sobre solos de São Paulo e Curitiba

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012 comentários

Mais de 170 pessoas participaram do pré-lançamento do livro “Twin Cities – Solos das Regiões Metropolitanas de São Paulo e Curitiba”, realizado no Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT, na capital paulista, nos dias 5 e 6 de dezembro de 2012. O evento teve como objetivo apresentar o conteúdo da obra que promete ser referência nos estudos da Geotecnia, Geologia e Engenharia Ambiental voltados para as duas capitais estaduais.  “É uma obra de excelente qualidade, pois foi consolidada com estudos de especialistas renomados em suas áreas”, afirma Marcos Massao Futai, presidente do Núcleo Regional São Paulo da ABMS (Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica), entidade responsável pela realização do evento. A edição do livro, que será comercializado a partir de 2013, foi realizada pelo Comitê Técnico TC-305 (Megacidades), da ISSMGE – Sociedade Internacional de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica, em conjunto com os Núcleos Regionais São Paulo e Paraná-Santa Catarina, da ABMS. (Na foto, da esquerda para a direita: Andrea Sell Dyminski, Arsenio Negro, Marcos Massao Futai e Makoto Namba, associado à ABMS que participou ativamente da organização do evento)

 

Diversas palestras e debates enriqueceram a programação. Para o geólogo Marcelo Denser Monteiro (foto), que trabalha no Metrô de São Paulo e  é um dos autores do capítulo que aborda a geologia da Grande São Paulo, o livro vem também para atualizar o conhecimento geotécnico sobre a cidade. “O último livro que abordou os solos de São Paulo foi feito há 20 anos”, comenta Marcelo. “Essa publicação veio principalmente para sintetizar e atualizar dados, o que já a torna muito importante para o meio”.

 

 

São Paulo e Curitiba: semelhanças e diferenças

A escolha para o nome do livro não foi por acaso. As cidades de São Paulo e Curitiba são conhecidas por apresentarem aspectos semelhantes em suas condições geológicas e geotécnicas. “Isso se deve ao fato de que os territórios dessas cidades nasceram de um processo geológico parecido”, explica o geólogo e professor de Geologia Eduardo Salamuni(foto à esquerda), da Universidade Federal do Paraná, um dos autores convidados para falar sobre a geologia da cidade de Curitiba.

No entanto, embora Curitiba e São Paulo apresentem semelhanças na gênese de sua geologia também apresentam algumas diferenças significativas. “A principal diferença entre uma cidade e outra é a profundidade de suas bacias sedimentares”, conta o geólogo Luiz Ferreira Vaz (foto à direita), que ministrou a palestra “Contexto Geológico em São Paulo e Curitiba”. “São Paulo têm até 300 metros de espessura de sedimentos em sua bacia, enquanto Paraná tem apenas 80 metros”.

 

Engenharia e Meio Ambiente

O evento apresentou outros capítulos do livro que são novidades. São tratados neles temas como riscos na ocupação de áreas contaminadas de São Paulo, a importância da construção de aterros sanitários, de aterros de resíduos de construção e demolição, discutindo soluções para reaproveitamento desses materiais.

“Uma área contaminada por substâncias tóxicas pode trazer riscos à saúde dos ocupantes e dos profissionais que trabalham em obras e escavações”, explica a engenheira civil Vivian Leme Sanches (foto à esquerda), palestrante e uma das autoras do capítulo sobre o assunto. “É um dos temas que na última edição sobre os solos de São Paulo não foi abordado e que hoje é essencial que seja discutido.”

Segundo a autora Maria Eugênia Boscov (foto à direita), engenheira civil e professora do curso Obras de Terra e Geotecnia Ambiental da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, o capítulo desenvolvido por ela e outros especialistas sobre aterros sanitários e aterros de resíduos de construção e demolição é uma maneira de expor à comunidade geotécnica a necessidade de mais estudos ambientais. “A Geotecnia poderia contribuir muito com estudos para a área ambiental, o que hoje não acontece da maneira como se gostaria”, diz a especialista. “É uma forma de chamarmos a atenção dos geotécnicos para essa nova área de atuação.”

Outro assunto discutido em palestra e abordado pelo livro é a necessidade do reaproveitamento de restos de materiais de construção civil como concreto, tijolos e telhas, entre outros resíduos. “Quase todos esses materiais poderiam ser reaproveitados em outras obras”, declara a engenheira civil Andrea Sell Dyminski (foto à esquerda), ex-presidente do Núcleo Regional Paraná/Santa Catarina da ABMS e atual professora associada do Departamento de Construção Civil da Universidade Federal do Paraná. “Outros resíduos como madeira e gesso devem ser descartados de forma responsável e em aterros adequados, pois são materiais perigosos e até tóxicos. Infelizmente o cenário não é esse e encontramos hoje esses resíduos em qualquer lugar”, afirma Andrea.

 

A palavra do presidente

Ao final de todas as apresentações, o presidente da ABMS, Arsenio Negro, comentou o sucesso do evento e destacou a contribuição de todos os palestrantes e a importância das discussões ao longo dos dois dias do evento.

Segundo o presidente, “o encontro foi intenso e nos trouxe muitas informações”. Ele destacou também que foi uma oportunidade para a comunidade geotécnica discutir assuntos que antes eram considerados de outras especialidades. “Foi um evento multidisciplinar. Praticamos um exercício coletivo de generosidade, compartilhando informações e somando capital social de conhecimento”.

O evento de pré-lançamento do livro Twin Cities foi o último do ano de 2012 e também o último de Arsenio Negro como presidente da ABMS. A participação de todos os presentes e envolvidos foi essencial para que o resultado fosse positivo e o ano fosse fechado com sucesso.

 

Patrocínio

A ABMS agradece também as empresas Bureau de Projetos, Huesker, Fundesp, Odebrecht Infraestrutura, Brasfond, Engeos, Maccaferri, Geodata Geoengenharia, Dýnamis Engenharia Geotécnica, Geofix Fundações, Fugro In Situ Geotecnia, Geotech Geotecnia Ambiental e Zaclis Falconi pela parceira e patrocínio, essenciais para a realização do evento.


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