ABMS atua nos deslizamentos no Nordeste

segunda-feira, 25 de julho de 2011 comentários

O ex-presidente do Núcleo Nordeste da ABMS, Roberto Coutinho, se reuniu, no dia 21 de julho de 2011, com representantes da Prefeitura do Município de Camaragibe para discutir os deslizamentos que causaram mortes no Nordeste. De acordo com Coutinho, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a região já conta com uma sistemática de prevenção aos deslizamentos, o que minimizou as dimensões da tragédia. O sistema, no entanto, precisa de atualização diante das mudanças na região e nas características pluviais. “O sistema da cidade era muito bom – para os padrões normais. Com o aumento e a concentração das chuvas, nós precisamos observar qual é o novo padrão, enfrentá-lo e criar novos sistemas”, aponta Coutinho. O especialista afirma que a ABMS irá auxiliar nesta reformulação da sistemática.

“A UFPE tem convênio com o município de Camaragibe no intuito de aperfeiçoar a sistematização que evita acidentes como este”, contou. “A prefeitura também tem parceria com o ministério, mas houve certa paralisação nas prevenções, em função de mudanças que estão sendo feitas na sistemática vigente”, completou o especialista.

As ações de sistematização feitas pela prefeitura da cidade consistem na comunicação entre os representantes das comunidades e dos órgãos municipais, instalação de sistemas de alarme anti-deslizamento, disseminação de informações sobre as chuvas e seus efeitos, remanejamento dos desabrigados em decorrência de deslizamentos e posicionamento de locas plásticas em zonas nas quais as obras estão proibidas. “Tudo isso auxilia a minimizar os efeitos, mas o resultado poderia ser ainda maior”, afirma. “Projetos, como o de Recife, de retirar pessoas de áreas de risco e auxiliar no pagamento de alugueis em outros locais existem, mas como a quantidade de setores de risco é muito grande, nem todos são atendidos com estas verbas”, finaliza Coutinho.

Além disso, Coutinho afirmou que é preciso ação por parte do Governo Federal para que haja mais planejamento urbano, ao invés de cuidar apenas da convivência nas áreas de risco. Para o ex-presidente do NRNE da ABMS, embora a atitude minimize os desastres naturais, é preciso proibir a construção em regiões suscetíveis a deslizamentos e planejar o remanejamento dos moradores atuais para locais apropriados. “Para isso é necessário criar, conscientemente, áreas de ocupação, auxiliando na construção das casas, e planejar melhor estas construções”.

Desde o último mapeamento da região, feito em 2005, a região já era considerada como área de risco. “É necessário, indiscutivelmente, realizar um novo mapeamento, porque o último foi atualizado há seis anos”, lembra o engenheiro. “Na natureza nós não podemos mandar, mas com o planejamento esse triste número de vítimas poderia ter sido evitado.”


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