Painel do Associado

ABMS pede mapeamento de áreas de risco

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012 comentários

No dia 9 de janeiro, o governo federal decidiu criar um grupo de trabalho com 50 geólogos e hidrólogos, em função das fortes chuvas que assolam o país e ocasionam catástrofes naturais, como deslizamentos e enchentes. Para os especialistas, o governo precisa ainda promover o mapeamento das áreas de risco. Segundo o geólogo do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), Eduardo Soares de Macedo, muitas cidades em risco sequer contam com uma Defesa Civil. “Só algumas cidades têm esse mapeamento. Há seis anos, o Ministério das Cidades passou a financiar esse trabalho, mas há, no máximo, cem cidades mapeadas,” afirma.

Arsenio Negro, presidente da ABMS, conta que há anos a entidade vem sugerindo um plano como este ao governo. “Estamos há anos pedindo aos governos e motivando a ação preventiva, mas, pela primeira vez, estamos falando de recursos.” Leia mais na matéria do O Globo.

O Globo – 10/01/2012

Para especialistas, mapeamento das áreas de risco é essencial

Segundo eles, é preciso criar departamentos da Defesa Civil em todos os municípios

Tatiana Farah

SÃO PAULO – Além de uma força-tarefa de emergência, o governo federal precisa promover o mapeamento das áreas de risco em todo o país e instigar os municípios a criarem departamentos de Defesa Civil. Essa é a opinião de especialistas ouvidos ontem pelo GLOBO, que destacaram a decisão do governo de criar um grupo de trabalho com 50 geólogos e hidrólogos como uma das medidas mais importantes do plano anunciado anteontem.

Geólogo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Eduardo Soares de Macedo afirmou que o governo anunciou o treinamento de seis mil agentes da Defesa Civil, mas que grande parte dos municípios não tem esse departamento.

– E onde não há Defesa Civil? Os municípios criam esse departamento a partir de um empurrãozinho do governo.

Para Macedo, vice-presidente da Associação Brasileira de Geologia e Engenharia Ambiental, a grande novidade do plano do governo é o grupo de geólogos e hidrólogos que deve atuar na Frente Nacional de Apoio Técnico de Emergência. Ele lembrou que, apesar da Medida Provisória 547, publicada em outubro e que cria um cadastro nacional de áreas de risco, o mapeamento não é feito em todo o país:

– Só algumas cidades têm esse mapeamento. Há seis anos, o Ministério das Cidades passou a financiar esse trabalho, mas há, no máximo, cem cidades mapeadas.

Plano era reivindicação antiga, diz especialista

Especialista em planejamento de recursos hídricos, Antonio Carlos Zuffo, da Unicamp, disse que o mapeamento não deve ser restrito às áreas atingidas pelas chuvas este ano:

– O plano foi uma decisão de emergência, uma decisão política. Esse grupo de geólogos é uma ação necessária, que já deveria ter sido feita. Deveria haver um plano de longo prazo para identificar a população de risco e fazer a retirada dessas famílias e seu reassentamento. O mapeamento tem de ser nacional – diz ele.

Para o engenheiro Arsenio Negro, presidente da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia, o plano do governo chega após muitos anos de reivindicação das entidades e dos pesquisadores:

– Estamos há anos pedindo aos governos e motivando a ação preventiva, mas, pela primeira vez, estamos falando de recursos – disse, sobre os R$ 444 milhões reservados ao programa federal. – Mas recurso reservado, no Brasil, nem sempre é recurso aplicado.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *