Acidentes de pedreiras cariocas são discutidas em Seminário

quarta-feira, 12 de maio de 2010 comentários

O Comitê Brasileiro de Mecânica das Rochas da ABMS participou, no último dia 11, de encontro técnico para avaliar a instabilidade de encostas no Rio de Janeiro e a adoção de medidas mitigadoras. Realizado no Clube de Engenharia e organizado pela Divisão Técnica de Geotecnia da entidade, o encontro foi motivado por um caso de ruptura ocorrido em junho deste ano no Condomínio Residencial Vila Isabel, na Zona Norte do Rio. Um deslizamento de 75 mil toneladas de rochas de uma pedreira desativada causou a morte de um homem e deixou outras três pessoas feridas. “Os riscos existem e os cariocas precisam ser protegidos das conseqüências deste tipo de acidente”, afirmou Anna Laura Nunes, presidente do Comitê de Mecânica das Rochas da ABMS.

Segundo os palestrantes, a cidade tem 91 pedreiras e apenas oito delas estão ativas e licenciadas. “A maioria das pedreiras faz parte de um pesado legado do passado, no qual para cada grande obra, abria-se uma nova pedreira”, destacou Sidney Machado, engenheiro do Instituto Geotécnico do Rio (Geo-Rio).

Ao longo do dia 11/8, o Clube de Engenharia do Rio de Janeiro contou com cinco nomes de destaque da engenharia para discutir temas importantes dos solos da região. A presidente do Comitê Brasileiro de Mecânica das Rochas da ABMS, Anna Laura Nunes, ministrou palestra sobre “Instabilidade de Encostas Rochosas e Medidas Mitigadoras”.

Já o engenheiro Sidney Machado, representante do Geo-Rio e tesoureiro da CBMR, tratou do tema “Prática de Estabilização das Encostas Rochosas do Rio de Janeiro”. Uma discussão sobre o “Caso de Ruptura no Condomínio Residencial Vila Isabel” foi estabelecida pelo engenheiro Luiz Otávio Vieira e o geólogo José Brandão, ambos da Geo-Rio. Na foto acima mesa do debate coordenado pelo ex-presidente da ABMS , Alberto Sayão. Da esquerda para direita: Maria Alice Ferreira (DTG do Clube de Engenharia), Anna Laura Nunes, Sidney Machado, Alberto Sayão, Luiz Otávio Vieira e José Brandão.

Presidente do CBMR, Anna Laura Nunes (foto) discutiu aspectos relacionados à instabilização deencostas rochosas e pedreiras em áreas urbanas, especialmente na cidade do Rio de Janeiro. Segundo a palestrante, os danos e prejuízos resultantes de rupturas de maciços rochosos próximos às áreas construídas podem ser significativos e “catastróficos”.

Anna Laura citou como exemplo o acidente do Condomínio Residencial Vila Isabel, ocorrido no mês de junho deste ano, na Zona Norte do Rio de Janeiro. “A ruptura da encosta rochosa, vizinha ao conjunto de simpáticas casas do condomínio, resultou em um volume de cerca de 5 mil m3 de blocos rochosos que atingiram a área, destruindo espaços de lazer, ruas, casas e carros”, afirmou a presidente. “Um dos vários blocos de grandes proporções conseguiu atingir a sala de estar de um sobrado, ferindo de forma fatal seu morador”.

A encosta rochosa que se rompeu foi, na década de 40, a pedreira responsável pelo fornecimento de brita para a construção do Maracanã. Após a conclusão do estádio, a pedreira foi desativada e passou a fazer parte do condomínio, implantado na década de 70. Conforme apresentado pelo engenheiro Sidney Machado (foto), diretor da divisão de licenciamentos de jazidas da Geo-Rio, a cidade do Rio de Janeiro tem 91 pedreiras das quais apenas 8 são ativas e licenciadas. “As restantes fazem parte de um pesado legado do passado, no qual para cada grande obra, abria-se uma nova pedreira”, destaca Machado.

Luiz Otávio (foto), da Geo-Rio, explicou para os participantes do evento as características da rupturaocorrida no condomínioe as medidas tomadas pelaprefeitura do Rio de Janeiro para realizar a investigação detalhada da área. “A cidade maravilhosa cheia de encantos mil é o resultado do encontro de mar e montanhas”, destaca Anna Laura. “E, por isso, é susceptível aos acidentes provocados pelas rupturas de encostas, tanto naturais, quanto cortadas pelos homens”.

“Os riscos existem e os cariocas precisam ser protegidos das conseqüências deste tipo de acidente”. Segunda Anna Laura, muitas rupturas de maciços rochosos não podem ser evitadas. Existem, no entanto, técnicas e medidas mitigadoras que permitem a convivência com estes acidentes, reduzindo ou mesmo eliminando a ocorrência de danos catastróficos.

Depois das apresentações, um debate foi estabelecido. Foram discutidas questões como aspectos legais de ocupação de áreas vizinhas a encostas e a necessidade de uma fiscalização especial para controle de ocupação das áreas de risco. O evento foi finalizado por um coquetel oferecido pelas empresas Geobrugg e Maccaferri, ambas fabricantes de sistemas de proteção contra quedas de blocos e outras rupturas de maciços rochosos.

 


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