Alejo Sfriso, novo vice-presidente para América do Sul, quer ouvir as associações regionais

sexta-feira, 24 de março de 2017 comentários

Alejo-internaO engenheiro e professor argentino Alejo O. Sfriso assumirá em setembro deste ano a Vice-Presidência para América do Sul da ISSMGE (Sociedade Internacional de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica). Ele substituirá o engenheiro brasileiro Jarbas Milititsky, ex-presidente da ABMS. Em entrevista à revista e-ABMS, Sfriso considera que hoje o desafio tecnológico é mais importante que o científico para a comunidade técnica. Ele quer aproximar-se de todas as sociedades regionais que integram a ISSMGE. “Espero usar a minha experiência na organização de congressos internacionais para estabelecer um mecanismo de comunicação direta entre as sociedades dos países da região”. Leia a íntegra da entrevista a seguir.

Pergunta: Como o sr. recebeu a sua escolha como novo Vice-presidente da ISSMGE para a América do Sul?
Alejo Sfriso: Como uma grande oportunidade de dar a minha contribuição para o objetivo comum dos engenheiros geotécnicos da América do Sul de sermos mais, melhores, com mais oportunidades e mais unidos.

Pergunta: Como o sr. avalia a gestão do professor Jarbas Milititsky à frente desse cargo?
Alejo Sfriso: Tive a sorte de ser presidente da Sociedade Argentina de Engenharia Geotécnica e organizar o XV PCSMGE (Congresso Panamericano de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica), que aconteceu em Buenos Aires em 2015, durante os primeiros anos da vice-presidência de Jarbas. Os dois, ele e eu, sabemos que suas conversas, seus esforços entre os colegas latino-americanos e com as mais importantes empresas do Brasil que nos patrocinaram foram fundamentais para o êxito de nosso Congresso. Jarbas herdou um enorme trabalho feito por Roberto Terzariol, o vice-presidente anterior e um grande amigo. E eu herdo o trabalho de ambos. Por isso, o compromisso é cada vez maior, mas o caminho já está traçado.

Pergunta: Quais são os principais desafios da engenharia geotécnica, especialmente na América do Sul, nos dias atuais?
Alejo Sfriso: Talvez eu ainda não saiba ao certo. Posso falar sobre a engenharia geotécnica na Argentina, Chile, Peru, Uruguai e Brasil, países com os quais tenho estado mais próximo, mas não no restante da América do Sul. (Lamentavelmente. E me comprometo a ter um conhecimento melhor no futuro). Nos dias atuais, nosso desafio está na tecnologia mais que na ciência. Nossos profissionais têm um elevado nível de interação com outros profissionais do mundo todo, mas menos oportunidades de trabalhar com as últimas tecnologias. Lembro-me de uma visita a Xangai, em 2008, quando nos mostraram que naquele momento havia 11 TBMs operando ao mesmo tempo. Nós provavelmente tenhamos um pouco mais que 11, mas em todo o continente e não em uma só cidade. Nosso desafio é estarmos juntos, estarmos conectados e conhecermo-nos cada vez mais para que tenhamos a oportunidade de avançar nossa ciência e tecnologia e compartilhá-las com nossos colegas da região.

Pergunta: Vários países da região passaram por acidentes geotécnicos graves, como o Chile e o Brasil, que recentemente sofreu as consequências da ruptura da Barragem do Fundão, em Mariana. Por que esses acidentes acontecem? Trata-se de um problema técnico ou um problema de gestão?
Alejo Sfriso: Há uma única resposta? Provavelmente não. Não tive a oportunidade de avaliar nenhum dos dois casos. Outros profissionais muito destacados da América do Sul o fizeram. Não tenho, portanto, informação de primeira mão que possa compartilhar com você. Não tivemos muitas falhas em barragens de rejeitos na Argentina. Mas isso não se deve a sermos melhores engenheiros, mas a termos poucas barragens deste tipo. Com essa realidade em minha história pessoal e de meu país, não me sinto capacitado para opinar sobre este assunto sem estudá-lo detalhadamente.

Pergunta: Como a comunidade geotécnica internacional pode contribuir para que autoridades da região adotem modelos de gestão que respeitem as regras técnicas?
Alejo Sfriso: A pergunta é ótima. Tenho de anotar isso para trabalhar sobre esse tema durante minha gestão como VP. Minha primeira reflexão é que estamos falando com gente que não está muito interessada no assunto. Os americanos têm a frase “follow the food chain” (siga a cadeia alimentar). Quem ganha quando as regras são seguidas? Quem perde? Falemos com os que ganham e abandonemos o esforço inútil de convencer aqueles que perdem. Acho que essa reflexão se aplica para o meu país e, provavelmente, para outros da região.

Pergunta: Quais são os seus planos para os próximos quatro depois de assumir as suas novas funções?
Alejo Sfriso: Há muitas ideias que começaram com Roberto Terzariol e que continuam. Outras perderam um pouco de impulso. Há muitas outras que se somaram com a chegada de Jarbas Milititsky. Falarei com ambos, pedirei conselhos e me assegurarei de que continuaremos com as boas ideias de eles trouxeram. Isso já é muito. Além disso, espero poder usar a experiência que me rendeu a organização do PCSMGE para estabelecer um mecanismo de comunicação direta entre as sociedades dos países da região.

Pergunta: Que mensagem o sr. gostaria de deixar para a comunidade geotécnica?
Alejo Sfriso: Colegas, vossa ajuda é de um valor inestimável. Preciso de sugestões, conselhos e boas ideias (asfriso@fi.uba.ar). Este cargo com o qual fui honrado está aqui para que todos sigamos tendo uma só voz, a mesma que temos tido em todos esses anos. Queremos ter mais presença e peso no mundo? Precisamos fazer um pequeno esforço adicional para chegar aos nossos colegas de outros continentes. Quantos de nós vamos ao ICSMGE em Seul neste ano? Jarbas está trabalhando para que sejamos muitos. Quantos estamos pensando já no artigo que submeteremos aos PCSMGE de Cancún, em 2019? Todas as autoridades das Sociedades Nacionais – e eu também – trabalharemos para que sejamos muitos também em Cancún 2019. Deveria fechar a frase dizendo “Nos vemos lá!” Mas espero que não seja a primeira vez que nos vejamos. Que seja nos congressos nacionais que teremos nos próximos anos pela região e que espero poder participar.


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