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André Assis participa de audiência pública no Senado Federal sobre a recorrência de acidentes de engenharia

quinta-feira, 01 de dezembro de 2016 comentários

audienciapublica-aa-internaNo dia 29 de novembro, o presidente da ABMS, André Assis, participou da audiência pública para debater as causas da recorrência de acidentes de engenharia no Brasil e o risco potencial de um acidente nas usinas de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. André Assis foi convidado como professor da UnB (Universidade de Brasília), especializado em obras de infraestrutura, e presidente da ABMS.

“Debates como este são muito interessantes, porque o Legislativo tem um papel fiscalizador da sociedade e, por isso, pode pensar em leis que aumentem a segurança das obras de engenharia, como por exemplo a lei se segurança de barragens e a obrigatoriedade da contratação de seguro, ora em apreciação”, afirma Assis.

O tema principal das discussões foi a usina de Angra dos Reis e os riscos de um potencial acidente. André Assis, no entanto, participou de uma outra parte do debate, a que versava sobre os acidentes de uma forma mais ampla.

Em seu discurso, o presidente da ABMS mostrou diversos acidentes ocorridos no Brasil e no exterior e explicou que, após a investigação, a constatação é majoritariamente de que a causa do acidente é falha de engenharia. Isso pode envolver erro de projeto, de execução ou de gestão.

Para André Assis, o motivo de tantos erros da engenharia, especialmente no Brasil, se dá pelo fato de que a maior parte das obras de infraestrutura é contratada pelo setor público, que muitas vezes não está preparado para a complexidade deste tipo de contratação. “E o Estado não é um estado planejador – seja municipal, estadual ou federal. As licitações são feitas muito em cima da hora e exige-se um projeto ‘para ontem’ e uma obra que deve ficar pronta no prazo de uma inauguração que atenda ao calendário político. Esses fatores juntos levam a uma engenharia de baixa qualidade”, explicou. “Além disso, há outro agravante, que é a Lei nº 8666, que estabelece a contratação pelo menor preço e não preza pela qualidade”.

Outro assunto abordado na Audiência Pública do Senado Federal foi a possível ligação entra a corrupção descoberta recentemente e os acidentes nas obras de engenharia. De acordo com Assis, uma licitação malfeita leva à necessidade de alteração de projeto ou de métodos construtivos. E assim surgem os aditivos. “Muitos deles são necessários, é verdade”, ressalta André Assis. “Mas isso também abre um caminho enorme para a corrupção. A corrupção na engenharia brasileira ocorre porque o Estado não tem a capacidade de ser planejador e competente o suficiente para fazer uma boa contratação, dando oportunidades a ilicitudes entre as pessoas de má fé”.

Daí decorre também a degradação da engenharia que estamos vivenciando nas últimas duas décadas. “A engenharia vai se acostumando a esses processos e, aos poucos, vai se degradando. Chega uma hora que não há mais um rumo de qualidade atestado e começam a fazer projetos ruins e construções de baixa qualidade, independentemente de ser para o ente privado ou público”.

O último ponto abordado por Assis foi a educação da engenharia no Brasil. Para o professor, o Brasil tem ótimas universidades que, inclusive, melhoraram muito nos últimos anos. Mas as condições das leis e as formas de gestão impostas dificultam ou até inviabilizam a interação com a indústria, o que é absolutamente essencial nas áreas tecnológicas. “No mundo inteiro o que vemos é um trabalho conjunto das universidades e das empresas, formando, assim, engenheiros com embasamento técnico e conhecimento prático, prontos para o mercado de trabalho”, explica. “O que falta no Brasil é essa interação. A universidade está muito distante da sociedade e de suas demandas”.

Além de Assis, estavam presentes Bruno Campos Barretto, diretor-presidente da Eletrobras Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, diretor de Planejamento, gestão e meio ambiente da Eletrobras Eletronuclear, Ricardo Nicoll Júnior, diretor-presidente da Associação dos Fiscais de Radioproteção e Segurança Nuclear – AFEN, Sidney Luiz Rabello, engenheiro de segurança nuclear e membro da Associação dos Fiscais de Radioproteção e Segurança Nuclear – AFEN, Chico Whitaker, membro da Comissão Justiça e Paz/CNBB, e Luciano Teixeira, presidente da Associação Brasileira de Analistas de Infraestrutura – ABRAINFRA.

Para assistir ao vídeo da audiência pública, acesse https://www.youtube.com/watch?v=93RK9PFCyAw


Comentários


André Assis participa de audiência pública no Senado Federal sobre a recorrência de acidentes de engenharia

  1. 11992745914
    Traduz também meu pensamento .
    As empresas ,pressionadas mergulham nos preços pra tentar sobreviver e mudam o foco para produção a qq. custo , invariavelmente menosprezando a qualidade técnica do empreendimento e muitas vezes da segurança . eOutro fator, cultural e que precisa ser extinto, é a sangria do dinheiro público através de propinas ,que eu renomeio como extorsão política ,mas esse é outro assunto.
    Precisamos melhor preparar as futuras gerações de engenheiros e técnicos de todas as áreas assim como nossa mão de.obra. Abraço .

  2. Marcelo disse:

    Trabalho com geotecnia e a iniciativa privada está adotando em seus departamentos de “compras” uma espécie de Lei nº 8666…. ou seja eu que prezo pelo qualidade, prazos factíveis e valor das horas técnicas compatíveis com a responsabilidade estou “perdendo” diversos serviços a empresas que querem apenas ter o preço “competitivo”. Uma hora a casa “cai” para os contratantes que estão decidindo projetos pela opinião do setor de compras e não pelo setor técnico.

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