Painel do Associado

Aos 93 anos, associado à ABMS Geraldo Fonseca permanece contribuindo para a área técnica

quinta-feira, 27 de junho de 2019 comentários

Mais de 67 anos. Esse é o tempo de carreira que acumula o engenheiro Geraldo Fonseca, associado à ABMS. Com 93 anos completados em janeiro deste ano, Fonseca continua em plena atividade na área de túneis, atuando como diretor da empresa G. Fonseca Engenharia de Túneis e prestando consultoria em obras. Antes, ele passou pela Companhia Alambra de Engenharia, onde atuou por 20 anos. Em 1972 fundou, ao lado do engenheiro Homero Schettino, a empresa EPC – Engenharia Projeto e Consultoria, onde atuou como diretor e projetista por 18 anos.

“A principal razão da minha longevidade é a motivação pelo trabalho”, diz Fonseca. “A geotecnia e a geologia foram da maior valia na especialização que abracei referente à execução, projeto e consultoria de túneis”. (Na imagem acima, o engenheiro Geraldo Fonseca. Foto: arquivo pessoal)

 

Homenagens

Tantos anos de dedicação renderam a Fonseca o merecido reconhecimento da comunidade técnica. O engenheiro foi condecorado, em 2008, pela sua contribuição na edição do livro Túneis do Brasil, organizado pelo Comitê Brasileiro de Túneis. Foi também homenageado pela ABMS em 2016 com o recebimento de um diploma de honra ao mérito pelas suas contribuições na área da geotecnia.

O engenheiro Ivan Vianna, ex-presidente do Núcleo Minas Gerais da ABMS, conheceu Fonseca quando ambos eram conselheiros do CREA local. “Apesar de fazer parte da área da mecânica de solos, ele se apresentava sempre como tuneleiro. ‘Eu faço túnel!’, dizia. E sempre que havia algum evento técnico sobre túneis organizado pelo CBT, ele participava. Não perdia um.”

“Geraldo Fonseca é uma inspiração. É um profissional muito ativo, uma pessoa muito dedicada”, comenta Vianna. “Está sempre preocupado em melhorar, em inovar na tecnologia, vai às palestras e aprende coisas novas, traz pessoas para palestrar para entender assuntos que ele não domina. Ele presa a técnica antes de tudo. Um profissional com mais de 90 anos querendo discutir coisas novas, produtos novos, fazendo perguntas, dando palpites, isso anima os colegas. É um exemplo para nós todos”.

 

Principais obras

Nascido em Minas Gerais, Geraldo de Almeida Fonseca se formou em engenharia civil, minas e metalurgia em 1951 pela Escola de Minas de Ouro Preto. Iniciou sua carreira um ano depois na Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) atuando na construção dos túneis da Usina de Salto Grande, na região do Rio Doce de Minas Gerais – uma das maiores obras do governo de Juscelino Kubitschek como governador daquele estado.

Fonseca esteve à frente de outras importantes obras durante sua carreira. No Rio de Janeiro, atuou em 1955 na construção do Túnel do Grinfo que liga as cidades de Petrópolis (RJ) e Juiz de Fora (MG). Também esteve presente nas obras de alteamento e alargamento do Túnel da Mantiqueira, na divisa de Minas Gerais com São Paulo, no final da década de 50. Trabalhou ainda na construção do Túnel Urbano Lagoinha, em 1969.

Uma das obras mais desafiadoras de sua carreira como ‘tuneleiro’ foi a do Túnel do Taquaril, em Belo Horizonte, iniciada em 1959 e somente concluída em 1970. O túnel foi construído para adução de água do Rio das Velhas partindo, em estrutura a céu aberto, do município de Nova Lima. De acordo com o engenheiro, a obra apresentou diversas complicações, como recalques derivados das detonações e rompimento de lençóis freáticos. “De toda a trajetória de 67 anos de carreira, considero o túnel Taquaril o mais complexo escavado em Minas Gerais e possivelmente no Brasil”, declara Fonseca. “Se a tecnologia NATM já tivesse sido implantada, o que ocorreu no início da década de 70, provavelmente o prazo de conclusão da obra teria sido reduzido pela metade”.

Foi nessa obra que Geraldo Fonseca conheceu e trabalhou com o engenheiro Antonio José da Costa Nunes, ex-presidente da ABMS. Costa Nunes, que atuou como consultor do antigo Departamento Nacional de Obras de Saneamento (DNOS), trouxe uma tecnologia adotada até então apenas na Europa para solucionar um deslizamento de lama ocorrido no túnel durante a obra. “Houve grande deslizamento de lama e escoamento volumoso e contínuo do lençol freático. A tecnologia de injeções água/cimento, técnica corriqueira para colmatação de vazios nos túneis da Usina Salto Grande, foi insuficiente para solução do problema”, conta Fonseca. “Dr. Costa Nunes indicou o tratado de injeções químicas empregado na Usina de Roseland, na França, em túnel com mesma formação geológica do Taquaril. Foram necessários três meses de trabalho para solucionar o problema, mas funcionou”.

Já como diretor da EPC, Fonseca atuou em obras como o Túnel Ferroviário Contorno de Sabará e do Túnel Ferroviário Marembá (MG) pela então Companhia Vale do Rio Doce (atual Vale), dentre muitas outras. Mesmo não integrando mais a empresa, Geraldo continua prestando consultoria para a EPC.

 

Novas gerações

Às próximas gerações de engenheiros e tuneleiros, Fonseca deixa sua mensagem: “Aos novos, está aberta a possibilidade de se engajarem, com os atuais profissionais e mestres, na cruzada pela reabilitação da Engenharia Geotécnica nacional, abalada após os desastres de Mariana e Brumadinho”.


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