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Artigo do futuro presidente da ABMS aborda a engenharia e sua função de servir à sociedade

terça-feira, 11 de dezembro de 2018 comentários

Alexandre Gusmão, professor da Universidade de Pernambuco e do Instituto Federal de Pernambuco e presidente eleito para a gestão 2019-2020 da ABMS, escreveu sobre a função social da engenharia. “Seja pública ou privada, a obra deverá sempre servir às pessoas e à sociedade. Não há obra mais importante que a construção da cidadania do povo”, afirmou em seu artigo Direitos Humanos e Engenharia. Leia o texto na íntegra.

 

Direitos Humanos e Engenharia

Alexandre Duarte Gusmão

Nesses dias de dezembro são comemorados 70 anos da promulgação de um dos mais importantes documentos da história contemporânea: a Declaração Universal dos Direitos Humanos – DUDH. Um tratado com 30 artigos que explicitam de modo claro princípios como o direito à liberdade de pensamento; consciência; religião; liberdade de opinião e expressão; entre outros. Inspirou as constituições de muitos países democráticos, a exemplo do Brasil.

Já no dia 11 de dezembro, comemoram-se 85 anos da publicação do decreto que regulamentou e oficializou a profissão de engenheiro, arquiteto e agrimensor. Além de definir as competências e limites de cada profissão, o decreto criou os conselhos reguladores responsáveis pela sua fiscalização.

E o que têm de comum esses documentos? A DUDH, no seu Artigo XXV, traz: “Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais”. É aí que entra a engenharia.

A engenharia é uma profissão fascinante. Os seus conhecimentos estão presentes na vida das pessoas: habitação, sistemas de transporte, energia, máquinas, comunicações, meio ambiente. A engenharia é o motor do desenvolvimento econômico. Em todos os países que tiveram grande crescimento nas últimas décadas, havia algo em comum: um forte investimento em educação e, em particular, na formação de engenheiros.

Mas não há como esconder uma sensação recente de frustração das pessoas com a engenharia: obras inacabadas, com prazos estourados e preços acima dos contratados; escândalos e corrupção envolvendo empresas de engenharia e engenheiros. Muitos enchem a boca com a resposta pronta: isso sempre existiu e são “típicos problemas de engenharia”. Não são problemas de engenharia, mas problemas de falta de engenharia.

É preciso resgatar a verdadeira engenharia, aquela que modela a natureza, planeja e constrói as obras de modo sustentável. Além disso, há algo fundamental que deve sempre pautar a profissão: a engenharia é uma obra coletiva. Toda obra de engenharia deve ter uma função social. Seja pública ou privada, a obra deverá sempre servir às pessoas e à sociedade. Não há obra mais importante que a construção da cidadania do povo.

A ética e a solidariedade devem estar sempre à frente de tudo. E a Declaração Universal dos Direitos Humanos deve ser a grande inspiração. Por tudo isso, dezembro é tempo de celebração. Tempo dessa nova construção. Tempo de renovar a esperança no futuro.

Alexandre Gusmão é engenheiro civil, professor da Universidade de Pernambuco (UPE) e do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE). É ainda o presidente eleito para a gestão 2019-2020 da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica.


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