Painel do Associado

Atrair e valorizar os jovens são alguns dos principais desafios da nova presidente da ISRM

quinta-feira, 31 de outubro de 2013 comentários

edaquadrosPela primeira vez em seus 50 anos de história, a International Society for Rock Mechanics (ISRM) terá na Presidência uma mulher: a brasileira Eda Quadros. Ela será também a primeira presidente mulher eleita dentre as três sociedades geotécnicas internacionais denominadas “irmãs” (ISSMGE, IAEG e ISRM). Nascida na Paraíba, Eda formou-se em Engenharia Civil em Recife e deixou o Nordeste para continuar os estudos na Universidade de São Paulo. Na época, poucas mulheres tinham outra atividade que não fosse cuidar da casa, marido e filhos. Eda optou, no entanto, por uma carreira bastante diferente. Num campo dominado por homens, ela conheceu em São Paulo o tema que se tornaria sua grande paixão: a mecânica das rochas e o fluxo de água nas fraturas e nos maciços rochosos.

Na capital paulista, onde mora até hoje, Eda começou a trabalhar no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), na Divisão de Minas e Geologia Aplicada. O ambiente, muito ligado à Geologia Aplicada, foi extremamente propício para o desenvolvimento das suas pesquisas sobre o fluxo nas fraturas rochosas e, em 1982, em continuação aos seus estudos acadêmicos na Escola Politécnica da USP, obteve o título de Mestre em Engenharia com apoio financeiro da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa na Universidade de São Paulo).

Desejando se aprofundar mais nos problemas de fluxo em maciços rochosos, no ano seguinte, com apoio do IPT, foi à Europa visando obter subsídios para a sua tese de Doutorado sobre a Condutividade Hidráulica Direcional dos Maciços Rochosos. Durante dois anos, estagiou no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa, Portugal, onde participou de trabalhos de campo ligados à engenharia de rochas. Durante este período, esteve também no Imperial College, em Londres e no Bureau de Recherche Géologique et Minière, na França.

De volta ao Brasil, Eda Quadros continuou seu trabalho na Sessão de Hidrogeotecnia do IPT, posteriormente Laboratório de Mecânica e Hidráulica das Rochas do IPT. Como coordenadora de diversos projetos no laboratório, trabalhou para a Petrobras durante um período de mais de dez anos desenvolvendo estudos e pesquisas sobre o comportamento das rochas salinas e coordenando as pesquisas na área de rochas da Rede Arquimedes, programa de desenvolvimento Inter-laboratorial da Petrobras para estudos das características das rochas salinas no entorno do pré-sal.

Com vontade, paixão e muita determinação, Eda Quadros chega agora à Presidência da ISRM, uma entidade que tem apenas cerca de 8% de mulheres no seu quadro de associados. Seu mandato vai de 2015 a 2019. Ela toma posse em 2015, em Montreal, no Canadá. No editorial abaixo, fala sobre os principais desafios de sua nova função. Para Eda, “os jovens são o futuro da nossa Sociedade e precisamos valorizá-los”. Leia a íntegra e saiba mais.

“Como é de costume na ISRM, a eleição aconteceu dois anos antes da posse. O objetivo é que o novo presidente já comece a interagir com a Diretoria, participando dos projetos em andamento para que depois possa dar sequência a eles. Na minha gestão, pretendo dar continuidade às iniciativas do professor Xia-Ting Feng, atual presidente da ISRM, que vem trabalhando muito pela modernização da nossa Sociedade.

“Um dos principais desafios na Presidência será atrair mais jovens para a Mecânica das Rochas e para a ISRM. Para isso, vamos contar principalmente com o apoio dos Grupos Nacionais para envolver os jovens associados na organização de congressos e eventos, dando-lhes responsabilidade para que percebam que são importantes na Sociedade. Jovens membros representam o futuro e nós precisamos dar muita atenção a eles. É nossa responsabilidade estimular os mais qualificados a apresentar trabalhos em eventos nacionais e internacionais e, sempre que possível, convidá-los para apresentações orais, dando-lhes espaço nas sessões para participar como co-moderadores, assistentes ou outras posições que exijam responsabilidade. Eles precisam de espaço para discutir suas ideias. E são essas ideias que irão transformar e melhorar nossa Sociedade.

“Os vice-presidentes também desempenham papel fundamental na gestão da International Society for Rock Mechanics. São eles os responsáveis por coordenar o trabalho da Diretoria em sua região. Baseada em minha própria experiência na América do Sul, acredito ser necessário encorajar e contribuir com o trabalho dos Vice-Presidentes, especialmente aqueles que representam regiões com perspectiva de crescimento e também naquelas em que novos Grupos Nacionais podem ser formados. Assim, teremos mais Grupos Nacionais e mais membros para a Sociedade.

“Pretendo também estimular os Grupos Nacionais da ISRM e seus membros a expandir suas atividades organizando eventos na área de interesse de seus países e estabelecendo contato com comunidades técnicas de geologia, mineração, petróleo e outras que estão, de alguma forma, ligadas à atividade da ISRM.

“É preciso ainda valorizar os pilares técnicos do conhecimento da Mecânica das Rochas e suas aplicações: as Comissões Técnicas. Precisamos estimular a formação de novas Comissões Técnicas e trazer jovens profissionais de diferentes áreas geográficas para integrar essas Comissões. Isto pode ser feito por meio do comprometimento e do trabalho conjunto dos Grupos Nacionais e dos Vice-Presidentes regionais.

“Expandir a pesquisa e a prática da Mecânica das Rochas também faz parte do nosso plano de gestão. Isso significa desenvolvimento adequado de aspectos específicos da Mecânica das Rochas para aplicação na engenharia de rochas, considerando também os aspectos ambientais. Tais ações podem contribuir para o crescimento econômico e possibilitar o progresso ambiental, particularmente através do estímulo a novos projetos de hidrelétricas considerando-se sempre as características de projetos sustentáveis. Os Grupos Nacionais podem e devem organizar workshops sobre esses temas. Soluções ambientais fazem parte do nosso legado de engenharia para as próximas gerações.

“A comunicação é outra parte fundamental do trabalho. Ela é a chave para o crescimento de qualquer sociedade. Pensando nisso, vamos continuar o trabalho dos ex-presidentes no sentido de aumentar a comunicação com os membros ao redor do mundo. A comunicação com os membros pode ser feita de diversas maneiras, como por meio da organização de cursos especializados ministrados por profissionais sênior, novos eventos como workshops e outras atividades para disseminar o conhecimento da Mecânica das Rochas.

“Uma forma de comunicar e levar o conhecimento da Mecânica e da Engenharia de Rochas aos quatro cantos do mundo é organizar palestras itinerantes com profissionais de renome. Especialmente para algumas regiões distantes onde os Grupos Nacionais têm dificuldades de convidar profissionais reconhecidos para dar palestras.

“Não podemos apenas conquistar novos membros. Precisamos também ampliar os benefícios para aqueles que já fazem parte da ISRM. Isso deve ser feito com a contribuição dos Grupos Nacionais, reduzindo as taxas de inscrição em eventos ou cursos, por exemplo. As empresas do setor também precisam ser contatadas para contribuírem financeiramente. Muitas já o fazem e outras precisam ser atraídas.

“As sociedades-irmãs, aquelas vinculadas ao universo da Geotecnia, também devem ser atraídas para um maior contato com a ISRM. Vamos em busca da expansão de nossas atividades e da parceria com essas entidades. Há muitos desenvolvimentos da ISRM que podem ser úteis para elas, e reciprocamente nós também poderemos nos beneficiar de seu conhecimento e experiência especializados.

“Quando Presidente, continuarei contando com o indispensável apoio do nosso Secretariado, em Lisboa. É graças a ele que podemos recorrer mais facilmente à história da nossa Sociedade e ter o apoio necessário para exercer uma boa gestão.

“Enfim, ser Presidente da ISRM, uma sociedade geotécnica com mais de 7.000 membros, certamente não será uma tarefa fácil. Mas acredito que possa aprender bastante com os meus colegas que já passaram por este cargo e, com muita determinação, ouvindo bastante os anseios dos associados, acredito que possa alcançar os objetivos que serão traçados em conjunto com os meus futuros colegas de Diretoria, que serão eleitos em Montreal, em 2015.

”Para desempenhar bem esta nova função, conto com o apoio da ABMS, do CBMR e de toda a comunidade de Mecânica das Rochas do Brasil e das Américas do Sul e Central. Juntos, trabalhando de forma organizada como temos feito nestes últimos 10 anos, poderemos mostrar que temos muito a contribuir para o desenvolvimento e crescimento da Sociedade Internacional de Mecânica das Rochas (ISRM). A ISRM cresceu muito nestes últimos anos e poderá crescer ainda mais!

“Agradeço muito a colaboração e o apoio de todos os colegas e estarei sempre atenta as suas contribuições”.

Eda Quadros
Presidente eleita da ISRM (2015-2019)
Vice-Presidente da ISRM (2003-2007)


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *