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Boscov falou dos “Desafios à Geotecnia Ambiental” na 5º edição do Mulheres Geotécnicas

segunda-feira, 29 de abril de 2019 comentários

O Núcleo Minas Gerais da ABMS realizou, no último dia 9/4, em Belo Horizonte (MG), a 5º edição do Mulheres Geotécnicas. Com o tema Novos desafios à geotecnia ambiental, a convidada especial Maria Eugênia Boscov falou sobre o aproveitamento do lodo, o uso de materiais na construção civil e o reaproveitamento do próprio rejeito das obras. Boscov é professora de engenharia civil e engenharia ambiental da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e uma das principais especialistas do país em barragens de mineração e geotecnia ambiental.Professores, alunos, profissionais da construção civil e profissionais da área de tuneis participaram da palestra, que contou com a presença de 60 pessoas, a maioria mulheres. Segundo a vice-presidente do Núcleo Minas Gerais, Cássia Dinelli M. de Azevedo, a palestra foi uma oportunidade para que os participantes pudessem ter acesso a informações relevantes sobre o tema e debater sobre como aplicar esses conhecimentos ao seu cotidiano.

Temas da palestra
Boscov abordou vários aspectos da geotecnia ambiental. Falou das políticas públicas envolvendo a reutilização dos resíduos, um desafio enfrentado hoje pelo Poder Público, inclusive para conscientizar a população sobre os benefícios da reutilização dos resíduos. Tratou também dos novos modelos de comportamento dos modernos materiais hoje utilizados pela geotecnia ambiental e da falta de normalização para lidar com esses novos materiais.

Maria Eugênia Boscov, que atua na área da geotecnia ambiental há 20 anos, conta que o início dos estudos envolvendo a reutilização de resíduos e rejeitos foi marcado por desconfiança. “Na época em que iniciei neste campo de estudo, as pessoas tinham um pouco de ressalva e medo dos resíduos, dos rejeitos e das áreas contaminadas por muita química”, conta a engenheira. “Sem contar a falta de compreensão por parte da comunidade que duvidava se este era realmente um ramo da geotecnia. Hoje em dia essa dúvida não existe mais”.

Durante a palestra, Boscov respondeu perguntas sobre o que usar, como usar, qual a importância do estudo e da investigação e quem pode comprar o reaproveitamento de grandes quantidades de rejeitos vindos de obras da construção civil, de mineração, de água e do lodo. A abordagem ampla da geotecnia ambiental adotada por Boscov “passa muitas vezes despercebida pelos geotécnicos tradicionais de edificações”, de acordo com a engenheira.

Boscov deu destaque ainda à atuação dos engenheiros em outras instâncias, não somente nas pesquisas e técnicas realizadas, mas também nos avanços trazidos por esses profissionais. “Remediação de áreas contaminadas é algo cada vez mais importante”, exemplificou a engenheira. A falta de espaços na cidade induz os terrenos que já existem a serem aproveitados, porém, muitas vezes esses terrenos já estão contaminados”.

Representatividade feminina
Boscov relatou que sempre participa de muitos eventos, mas raramente com foco nas mulheres – exceto no Cobramseg 2018, quando participou de uma sessão destinada às Mulheres Geotécnicas.

“Achei interessante a presença de muitas moças na plateia. É necessário quebrar alguns paradigmas para que essas e outras mulheres se espelhem e criem coragem”, argumenta Boscov. “Mulheres querem ver outras mulheres, talvez mais experientes, falando. Eu sentia isso quando comecei na engenharia, tive apenas duas professoras na faculdade”.

Maria Eugênia comenta que eventos assim têm muito valor devido à grande diferença entre homens e mulheres. E ressalta que a ABMS é uma Associação que representa a todos e que tenta fomentar a excelência da geotecnia nacional, procurando estar presente nos debates nacionais e abranger outras variáveis que contribuem para o correto exercício profissional e acadêmico.

Mulheres Geotécnicas
O evento, que teve início em 2014, está hoje na sua 5º edição. O intuito é homenagear as engenheiras geotécnicas em geral. Para Cássia Dinelli, vice-presidente do Núcleo MG, há um número expressivo de mulheres que atuam nos escritórios de engenharia, mas quase sempre os líderes são homens.

“As mulheres sempre estão no backstage e na maioria das vezes quem ganha as palmas são os homens”, afirma Cássia Dinelli. “Durante a minha gestão à frente do Núcleo Minas Gerais, pensamos que seria uma boa oportunidade para que as mulheres pudessem mostrar a sua importância e o valor da sua contribuição. Toda a diretoria abraçou a ideia”.

A engenheira destaca que, apesar de tudo, o Mulheres Geotécnicas sempre recebe um bom número de participantes. “No primeiro ano, tivemos 60 pessoas presentes e enchemos duas vezes o CREA-MG, separando as geotécnicas do mercado em geral e as geotécnicas da mineração, com duas mulheres apresentando cada sessão”.

“O que este evento tem mostrado é que as engenheiras geotécnicas estão presentes em todas as áreas”, afirma Cássia Dinelli. “Muitas atuam no ramo de pesquisa, produzindo inovação”. Ela destaca que as mulheres se dão bem graças à atenção aos detalhes e à capacidade de observação. “Maria Eugênia reforçou isso por conta do carinho que ela tem pela pesquisa aplicada ao cotidiano, e da importância que ela atribui ao estudo”.


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