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Com público de mais de 100 pessoas, primeiro e-talk ABMS é sucesso no Núcleo MG

quinta-feira, 19 de março de 2020 comentários

O Núcleo Minas Gerais da ABMS promoveu, no último dia 6/3, o primeiro e-talk ABMS. O tema foi Geotecnia na Mineração: Fechamento e Liquefação e atraiu mais de 100 pessoas, que assistiram ao evento via streaming. “Foi o primeiro evento totalmente online promovido pela ABMS”, ressalta o presidente da entidade, Alexandre Gusmão. “Cumprimento os colegas mineiros por este feito que, certamente, vai acrescentar muito à ABMS. Teremos em breve outros encontros com esse mesmo formato”. (Na foto à esquerda, da esquerda para a direita, Gustavo Vianna, presidente do Núcleo MG, Sandro Sandroni, Fernando Schnaid e Aloysio Saliba, mediadores do debate, e Fernando Saliba, tesoureiro do Núcleo MG)

Análise de liquefação

O encontro teve início com a exposição do engenheiro geotécnico David Reid (foto à direita), da University of Western Australia. Ele tem experiência de mais de 15 anos em consultoria e pesquisas relacionadas a testes laboratoriais de barragens, caracterização e análise de solo. O assunto abordado por Reid foi modelagem numérica para análise de liquefação.

O engenheiro Fernando Schnaid, que foi o mediador do debate, lembrou que “o Brasil está especialmente atrasado na capacidade de fazer modelagem numérica com programas que incluam modelos constitutivos aplicados à liquefação, metodologia necessária para avaliar o risco de ruptura de barragens de rejeito”. Schnaid, que é professor titular aposentado da UFRGS e pesquisador 1A do CNPq, disse ter sido muito interessante “ouvir profissionais do exterior sobre o tema e verificar o que podemos aprender com eles”.

Para Sandro Sandroni, que também mediou a discussão, “o mundo geotécnico todo está intrigado com a nossa baixa capacidade de antever o que pode acontecer numa obra dessas”. Professor pesquisador da PUC-Rio, Sandroni reconhece que “isso é algo que acontece em âmbito mundial”.

Fechamento de barragens

No período da tarde, Cynthia Parnow (foto à esquerda) falou sobre o fechamento de barragens de rejeito. Ela é engenheira com mais de 25 anos de experiência em gestão de água e resíduos de mineração.

“É importante lembrar que a barragem não deve ser só fechada, mas descaracterizada enquanto barragem de rejeitos. Isso envolve a garantia de segurança a longo do tempo”, explica Schnaid.

Aloysio Saliba, professor adjunto da UFMG e mediador do e-talk ABMS, destaca que Cynthia Parnow trouxe uma informação interessante que é a existência do Super Fundo nos Estados Unidos da América (EUA). Trata-se de um fundo criado pelo governo norte-americano para garantir a segurança dessas estruturas no caso de haver problemas de estabilização ou contaminação.

Saliba lembra que as empresas mineradoras têm de declarar os custos de fechamento em suas demonstrações contábeis para operar na bolsa norte-americana, já prevendo o momento em que o minério vai se exaurir. “O problema é que, nem aqui e nem nos Estados Unidos, existe um órgão que ateste a estabilidade da barragem fechada”, sustenta o professor.

A principal lição que fica da discussão sobre o fechamento das barragens é que não existe fórmula pronta. “Como tudo em geotecnia, deve-se analisar caso a caso”, conclui Sandroni. Para Saliba, o debate foi muito válido para “percebermos que essas dúvidas não são exclusividades do Brasil. Os problemas estão em todos os lugares do mundo”.

O novo formato de evento

Fernando Schnaid aplaudiu o primeiro e-talk ABMS. “É uma modalidade particularmente atrativa”, explicou o professor da UFGRS. “Pode reunir pessoas de vários locais do mundo; permite uma discussão detalhada e sem pressa sobre qualquer assunto, de tal maneira que se pode, a partir dela, dar rumo a questões específicas que são importantes para os membros da ABMS. Eu adorei!”.

Aloysio Saliba lembra ainda que, além da praticidade de ser online, o evento permite que o conteúdo seja retomado depois, já que a gravação fica disponível por seis meses. “Uma empresa pode, por exemplo, usar a discussão para um treinamento interno. É muito bacana!”.

Os três mediadores concordam que este é um formato novo que chega para somar. A comunidade técnica pode (e vai) se beneficiar muito com discussões a distância. Eventos online, no entanto, não substituem congressos e encontros presenciais – que devem permanecer na agenda da ABMS.

“A presença física é insubstituível. Dá para casar pela internet, por exemplo, mas não dá para fazer filhos”, brinca Sandroni. Vale ressaltar que aqueles que não se inscreveram para o evento online, ainda podem fazer a inscrição para ter acesso à gravação. Basta acessar http://abmsetalks.com.br/.


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