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Debate sobre barragens de rejeitos encerra WebGeo 2020

sexta-feira, 18 de setembro de 2020 comentários

“Barragens de rejeitos” foi o tema da Sessão Técnica 5, a última realizada durante o WebGeo – Simpósio Digital de Geotecnia, que aconteceu entre 15 e 17/9. Presidindo a Sessão Técnica estava o engenheiro e professor Alberto Sayão, ex-presidente da ABMS. Para moderar as discussões, o engenheiro Carlos Medeiros Silva, da Embre Engenharia, que também é coordenador das Comissões Técnicas da ABMS. Ao final, Alexandre Gusmão, presidente da ABMS e Paulo Albuquerque, presidente do Núcleo São Paulo, conversaram com os participantes.

A Sessão Técnica foi aberta com a palestra de Fernando Schnaid, professor da UFRGS, que abordou o tema “Descaracterização de barragens de rejeito de Mineração”. Logo depois, a engenheira e professora Rafaela Baldí abordou o tema “Dique de partida em Gabião” representando a empresa Belgo Geotech. Cristina Schmidt, vice-presidente do Núcleo São Paulo da ABMS, representou a Huesker para tratar sobre “Cobertura de lagoas de rejeitos – Soluções com geossintéticos: projeto e execução”.

Descaracterização de barragens

Schnaid deu início a sua apresentação explicando o intuito de oferecer aos participantes uma visão abrangente dessa problemática que envolve as barragens de rejeitos de mineração construídas a montante. Apresentou alguns números importantes: existem cerca de 1.700 barragens de rejeitos no mundo, responsáveis por estocar 45 bilhões de metros cúbicos. No Brasil, há cerca de 100 barragens de rejeitos que precisam ser descaracterizadas.

Porém, o que significa “descaracterização”? Schnaid explicou que o termo existe apenas no Brasil e foi introduzido pela Resolução nº 13 de 2019, editada posteriormente ao acidente ocorrido em Brumadinho (MG), em janeiro daquele ano.

A descaracterização ocorre quando determinada barragem deixa de possuir as características ou exercer sua função por não receber mais estoque de rejeitos. É diferente de “descomissionamento”, termo mais usado internacionalmente, que significa encerrar as operações da barragem com a retirada das estruturas associadas.

Schnaid falou a respeito da complexidade do processo de descaracterização de barragens em comparação ao processo de construção. Explicou como ocorre o fenômeno da liquefação e seus diferentes tipos: estática (flow) e cíclica (cyclic). Ele ressaltou que o fenômeno de liquefação ocorre a partir da ativação de um “gatilho”. Para evitá-lo, portanto, é preciso monitorar os gatilhos que podem ativar tal fenômeno.

Antes, é necessário também possuir conhecimentos pré-descaracterização e dados sobre susceptibilidade à liquefação estática. Os métodos de classificação existentes para esse tipo de análise apresentados por Schnaid foram: Jefferies and Davies (1998), Robertson (2016), Schneider and Moss (2011) e Schnaid et al (2020),desenvolvido na UFRGS. Os métodos Robertson e Schnaid et al foram os destacados pelo engenheiro durante a apresentação.

Outro dado a se considerar no monitoramento de gatilhos e nos projetos de descaracterização é o de atividades sísmicas no Brasil. O engenheiro explicou que, desde 2019, esta é uma obrigação normativa. Entretanto, ainda não há uma tradição no país em relação a esse estudo.

Schnaid encerrou a apresentação trazendo uma conclusão importante. Não há, ainda, experiência acumulada – ou seja, estudos de caso sobre o processo de descaracterização. Este, portanto, é um grande desafio técnico. É preciso ainda muito estudo e aprendizado para que a comunidade técnica brasileira possa dominar o conceito.

Casos de obra

Rafaela Baldí deu seguimento à Sessão Técnica com a apresentação do tema “Dique de partida em Gabião”, relacionado a uma obra em andamento de uma estrutura de barragem de rejeito. Rafaela falou das características do projeto e a construção de gabiões, feito pela Belgo Geotech.

Em seguida, Cristina Schmidt, representando a Huesker, abordou a “Cobertura de lagoas de rejeitos – Soluções com geossintéticos: projeto e execução”. Apresentou os tipos de geossintéticos que podem ser usados na cobertura de lagoas de rejeitos e as diferentes funções que podem exercer esse tipo de material, como reforço, filtração, separação, proteção ou barreira. E lembrou que mais de um tipo de geossintético pode ser empregado no mesmo projeto. A engenheira explicou as características técnicas e a metodologia construtiva dos geossintéticos.

Debate

O debate que avançou com a Sessão Técnica contou com a participação ativa do público que assistia às apresentações. Muitas das perguntas e comentários concentraram-se na questão da descaracterização das barragens de rejeitos. O debate prosseguiu com dúvidas do público e com comentários de Sayão e de Medeiros, que coordenavam a Sessão.

Por fim, Alexandre Gusmão, Cristina Schmidt e Paulo Albuquerque, que lideraram a Comissão Organizadora do WebGeo, encerraram o primeiro Simpósio Digital da ABMS. Gusmão ressaltou o sucesso do evento, que recebeu mais de 700 participantes em três dias – transformando-se em um dos eventos de maior sucesso da entidade.

Após os devidos agradecimentos aos palestrantes, ao público e às empresas que participaram da iniciativa, dezenas de elogios foram encaminhados à Comissão pelo bate-papo da live.

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