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Debate sobre Segurança de Barragens reúne 90 pessoas em Aparecida de Goiânia (GO)

quinta-feira, 18 de abril de 2019 comentários

A Eletrobrás FURNAS organizou um seminário sobre Segurança de Barragens no dia 9/4, no auditório da Gerência de Serviços e Suporte Tecnológico (GST.E), em Aparecida Goiânia (GO), afim de debater a situação em que se encontram as barragens de rejeitos existentes no país. O workshop reuniu 90 pessoas entre representantes de FURNAS e de órgãos governamentais, além de engenheiros.O tema veio à tona com os recentes acidentes consequentes do rompimento das barragens de rejeito da Vale – em Minas Gerais, nas cidades de Mariana e Brumadinho – que levantaram algumas questões sobre a situação em que este tipo de estrutura se encontra, os perigos decorrentes de possíveis fragilidades técnicas, segurança, durabilidade e legislação.

O seminário

O superintendente de Empreendimentos de Geração de FURNAS, Rodrigo Junqueira Calixto, abriu o evento falando sobre a qualidade e a segurança dos empreendimentos sob responsabilidade da FURNAS. “A empresa sempre zelou pelo projeto, construção e operação”. Há mais de 40 anos foi criada a Gerência de Geotecnia e Segurança de Barragens no Rio de Janeiro e uma Divisão de Instrumentação e Suporte Tecnológico, sediada em Goiânia, divisões específicas para cuidar de instrumentação e controle de barragens.

Os engenheiros e ex-presidentes da ABMS, André Assis e Alberto Sayão, e o presidente do Comitê Brasileiro de Barragens (CBDB), Carlos Henrique Medeiros, ministraram palestras no evento. Os três palestrantes reconheceram que os órgãos governamentais carecem de técnicos.

Em sua apresentação, Assis destacou que os contratos de obras devem ser flexíveis para ajustar o projeto às condições geológicas. Lembrou que “as falhas de um barramento estão relacionadas à perda funcional ou estrutural do reservatório”. Ele explicou que os protocolos de segurança adotados para os diversos tipos de barragens são semelhantes, mas que há peculiaridades em relação às barragens e ao conteúdo do reservatório. O engenheiro também articulou sobre projeto, construção e operação de barragens.

Alberto Sayão dialogou sobre as causas e consequências de ruptura de barragens que culminam em mortes, destruição e prejudicam a imagem do país. “Não há obra 100% segura. Deve ser considerado o efeito provocado pela ocorrência de chuvas intensas, por exemplo”, afirmou o engenheiro. “No caso de Brumadinho, apesar da drenagem, havia acúmulo de água de chuva”.

Ao finalizar a palestra, Sayão citou uma frase de Jerson Kelman, professor da Coppe-UFRJ, para mostrar como os empreendimentos são vistos pelos seus gestores: “Barragem de água é o principal ativo das empresas; barragem de rejeito é o principal passivo das empresas”.

Após as duas apresentações, foi feita uma mesa-redonda que contou com a participação de Renato Cabral, gerente da Gerência de Serviços e Suporte Técnico (GST.E) – como moderador do debate, Paulo Roberto Marquêz, do Crea-GO, Paulo Falcão, da Defesa Civil, Ségio Botassi, do Ministério Público e os dois palestrantes, Alberto Sayão e André Assis.

O presidente do CDBD, Carlos Henrique Medeiros, explicou sobre os desafios da Política Nacional de Segurança de Barragens (Lei nº 12.334) e os impactos que uma nova legislação pode causar. “Devemos atentar para os perigos de uma mudança inesperada na legislação sob o efeito dos acidentes em Mariana e Brumadinho” afirmou. Ele alertou ainda sobre os riscos da pressa em “achar os culpados”. “O sistema é sempre o último a ser questionado. Tudo é tratado como erro humano”.

Medeiros também relatou que o número de especialistas é insuficiente para se responsabilizar pela segurança da barragem. Além disso, para ele, um profissional de segurança de barragem precisa de anos de experiência.

Ao final, foi feita outra mesa de debates com as participações de Maurício Sales, vice-presidente da ABMS e professor da Universidade Federal de Goiás, André Marques, da Agência Nacional de Mineração, Celso Pires, da FURNAS, Rodrigo Flecha, da Agência Nacional de Águas e Carlos Henrique Medeiros, do CDBD.

 

Imagens: Luiz Fernando Garibaldi


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