Painel do Associado

Engenheiros sofrem acusações de que são incapazes

sexta-feira, 29 de novembro de 2013 comentários

O Brasil ocupa o 6° lugar no ranking da economia mundial e boa parte disso se deve aos profissionais de engenharia, que são responsáveis por 70% do PIB brasileiro, de acordo com o vice-presidente do CREA-RS, Paulo Deni, em palestra realizada na Semana Acadêmica das Engenharias da URI Santo Ângelo no dia 18 deste mês.

Porém o ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República, Wellington Moreira Franco, ignorou estes dados quando declarou à imprensa que a culpa pelo atraso de obras em seis dos 12 aeroportos brasileiros em capitais que receberão a Copa do Mundo no ano que vem é dos engenheiros brasileiros, que são ruins e elaboram projetos mal feitos. Os profissionais da área ficaram indignados com a declaração do ministro.

Perguntado sobre o que achava das declarações do ministro-chefe, Tarcísio Barreto Celestino, ex presidente do CBT e professor da USP São Carlos, afirmou que “a engenharia brasileira é muito boa. Se for feita uma enquete com engenheiros do mundo inteiro sobre a qualidade dos engenheiros no Brasil, o ministro vai ficar surpreso ao saber que a engenharia brasileira é de muito boa qualidade”.

Os problemas nos atrasos não se devem ao fato dos engenheiros serem ruins, mas à falta de planejamento, pois o Brasil foi escolhido como sede da Copa do Mundo de 2014, no ano de 2007, ou seja com mais ou menos sete anos de tempo para preparação e estruturação do país. Este planejamento, no entanto, foi feito com atraso, causando impactos nas obras a serem realizadas.

Sobre isso, Tarcísio ainda complementa “tem obra de aeroporto no Brasil cuja obra se iniciou um ano e meio antes da copa. Na África do Sul, por exemplo, que sediou uma Copa, foi feito com bem mais antecedência. Em Doha, onde será a Copa de 2022, já estão construindo um aeroporto desde agora”.

Após as declarações do ministro, os conselhos regionais de engenharia e agronomia de Minas Gerais e do Distrito Federal (CREA), divulgaram notas de repúdio.

O engenheiro civil e presidente do CREA-MG, Jobson Andrade, rebate as afirmações e diz que o problema está, justamente, na deficiência das instituições públicas.

“Com os seus vícios e incompetências, não conseguem planejar, contratar e executar qualquer empreendimento no prazo devido, com as especificações necessárias. Antes de afirmar que a nossa engenharia é ruim, é preciso rever como o país se posiciona em relação a ela”, diz.

Além disso, afirma que no Brasil nunca houve preocupação com o planejamento e que um possível problema de atraso nas obras ocorre pela ausência dos engenheiros nas funções correlatas no Estado.

“O papel de contratar serviços de engenharia cabe, na maioria das vezes, a políticos e profissionais que não são da área e não detêm conhecimento técnico para isso. Os cargos públicos técnicos não são ocupados por pessoas capacitadas para determinadas atividades da engenharia”, afirma Andrade.

Já o CREA do Distrito Federal, por meio do seu presidente Flavio Correa, divulgou uma nota afirmando que “os atrasos nas obras dos aeroportos, e em tantas outras obras públicas, normalmente estão relacionados a incompetências gerenciais e à baixa qualidade nos processos licitatórios realizados pelo Poder Público”.

Com essas manifestações de toda a comunidade da engenharia brasileira, o ministro Moreira Franco divulgou uma nota dizendo: “tenho certeza que rapidamente teremos empresas de projetos e execução de obras com a mesma qualidade que tivemos no passado”.

Porém mesmo após a retratação do ministro, as declarações não foram esquecidas e, também por meio de nota, a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), disse que estão atentos e comprometidos com a defesa da engenharia brasileira e da soberania nacional.

 

 


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