Painel do Associado

Especialistas da ABMS participam de matéria sobre geomantas

sexta-feira, 27 de abril de 2012 comentários

Indiara Giugni, Maurício Abramento e Victor León, engenheiros associados à ABMS, concederam entrevista à revista Infraestrutura Urbana. O tema em pauta eram as Geomantas, sistemas permeáveis utilizados no revestimento de solos para reforçar e proteger a vegetação da ação de intempéries em áreas suscetíveis à erosão. Os especialistas comentaram, ainda, sobre a ação das biomantas na proteção da vegetação contra a erosão. Leia a íntegra da matéria.

Infraestrutura Urbana – 23/04/2012

Geomantas são sistemas permeáveis de estrutura tridimensional ou bidimensional utilizadas no revestimento de solos para reforçar e proteger a vegetação da ação de intempéries em áreas suscetíveis à erosão. Podem ser aplicadas tanto em taludes como em áreas planas de aterros e cortes de rodovias e ferrovias, taludes de canais, rios e lagoas, taludes de pilhas de minérios e em coberturas de aterros sanitários e industriais, entre outros.

“A vegetação cresce passando entre as geomantas, entrelaçando-se com a malha de reforço e, desta forma, a tecnologia auxilia a fixação das espécies escolhidas, principais responsáveis pela proteção do solo contra a erosão”, explica Indiara Giugni, consultora em geossintéticos e vice-presidente da Associação Brasileira de Geossintéticos (IGS).

Fabricadas geralmente com materiais poliméricos como o polietileno e o policloreto de vinila (PVC), as geomantas, quando produzidas com materiais biodegradáveis, ganham outra denominação: biomantas. Neste caso, são produzidas com fibras vegetais como palha, coco e até capim, junto a outros materiais sintéticos como adesivos, fibras sintéticas ou telas de polipropileno fotodegradável.

O uso de matérias-primas distintas na fabricação das mantas impacta, obviamente, a vida útil das duas soluções: enquanto as geomantas têm alta durabilidade, as biomantas não passam de cerca de um ou dois anos, tempo suficiente para que a vegetação possa assumir sozinha a função de proteção superficial. “Nos dois casos, os materiais devem conter os grãos transportados por materiais erodíveis e resistir às velocidades de escoamento das águas de chuva”, explica o engenheiro Víctor León, associado da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (ABMS).

Na maioria dos casos, as geomantas e biomantas são utilizadas em conjunto à vegetação já que, principalmente no caso das biomantas, é a vegetação que irá assumir a função de proteção contra erosão. A vegetação a ser empregada é quase sempre algum tipo de leguminosa ou gramínea perene, resistente a pragas e climas diversos. Espécies comuns são a braquiária, grama batatais e, mais recentemente, a grama do tipo vetiver.

No caso das biomantas, a instalação é feita em taludes secos, ou seja, em taludes que não estão sujeitos a fluxos hidráulicos importantes, como barrancos de rios e canais. Outra restrição é a inclinação do talude, sendo recomendável o emprego de mantas biodegradáveis em taludes com inclinação máxima 2V:1H. “Já as geomantas podem também ser empregadas em ribanceiras de cursos dágua”, completa Víctor León.

Há também casos específicos em que as geomantas são usadas sem vegetação. Na prática, elas dissipam a água da chuva que cai sobre o talude, impedindo que partículas do solo superficial se soltem, iniciando o processo erosivo. Protegem também o talude contra a erosão eólica e, além disso, atenuam o efeito do sol, mantendo a umidade do solo durante a germinação das sementes plantadas.

De um modo ou de outro, as geomantas e biomantas possuem como maior benefício a economia de solo vegetal, nem sempre disponível nas proximidades da obra. Outro fator positivo é a agilidade na proteção superficial dos taludes, já que não é necessário esperar pelo desenvolvimento da cobertura vegetal. “Além disso, se ganha com a facilidade de transporte, devido ao peso e ao volume reduzidos de terraplenagem”, avalia o engenheiro e especialista nesta área, Maurício Abramento.

1. Aplicação da biomanta (em rolos) deve seguir a direção da declividade do talude.

2. Rolo fixado ao solo do talude com grampos metálicos em forma de U. Na fixação, o espaçamento entre grampos geralmente é de no mínimo 30 cm.

3. Nas emendas das mantas, o espaçamento dos grampos deve ser de no mínimo 40 cm.

4. A fixação dos rolos deve ser realizada no patamar entre a linha da crista e a borda e o fundo da canaleta. Em seguida faz-se o reaterro da canaleta.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *