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Evento mundial de Geossintéticos

segunda-feira, 26 de abril de 2010 comentários

Particularidades e inovações de um tipo de material que pode vir a se tornar um importante aliado na atividade geotécnica serão discutidas durante os cinco dias da 9º Conferência Internacional de Geossintéticos. Pela primeira vez no hemisfério sul, o encontro, que acontece no Guarujá entre os dias 23 e 27 de maio, traz para a discussão nacional o papel dos geossintéticos, materiais industrializados que podem substituir materiais orgânicos nos mais diversos tipos de obras de engenharia civil.

“Os geossintéticos podem suprir o papel do material natural, repleto de restrições ambientais, em obras de drenagem, barreira de impermeabilização, reforço de encostas e barragens, separador entre outras”, afirma Maurício Erlich, presidente da Comissão Organizadora do encontro. “As vantagens dos geossintéticos ainda são pouco conhecidas pela comunidade geotécnica e a 9ª IGC é uma oportunidade singular para que os geossintéticos sejam melhor apresentados à comunidade geotécnica”.

O evento chega ao Brasil depois de ser realizado em outros oito países do hemisfério norte. Até então o país tinha sediado o Primeiro Simpósio Sul-Americano de Geossintéticos em 1991. O primeiro encontro de abrangência mundial chega ao País com a expectativa de superação dos 800 participantes que compareceram à 8ª edição do evento, que aconteceu no Japão, em 2006.

Como organizadores da 9ª edição da Conferência Internacional de Geossintéticos, a ABMS e a IGS (Associação Brasileira de Geossintéticos) têm a expectativa de ultrapassar outros recordes já alcançados pelas conferências anteriores – 70 expositores e 350 trabalhos técnicos. “Nossos esforços estão focados na preparação da melhor conferência internacional da IGS até o momento”, afirma Maurício Ehrlich.

“Nossa meta, estabelecida desde o início, é ultrapassar os números alcançados nos bem sucedidos congressos anteriores”. A 9ª ICG é, segundo a organização, uma oportunidade única para melhorar e unir conhecimentos, discutir tecnologias avançadas, descobertas científicas e soluções na área de geossintéticos. A cidade escolhida para sediar o evento é o Guarujá, localizada a 90 km de São Paulo. As inscrições já estão abertas e os trabalhos podem ser enviados até 15 de janeiro.

ICG no Brasil

A iniciativa de trazer a Conferência para o Brasil foi apresentada na 8ª edição do evento, em Yokohama. Depois de enviar a proposta, Benedito Bueno, professor da USP e membro da ABMS, seguiu para o Japão para defender a ideia durante o evento. “Sempre tivemos a expectativa de vencer os concorrentes, até porque a IGS Brasil é muito respeitada no seio da IGS”, afirma Bueno. “Além de apresentar o país, acho que deixamos a mensagem verdadeira de que o Brasil é a segunda pátria de todos os povos. Tenho absoluta certeza que japoneses, chineses, africanos, europeus se sentirão em casa aqui. É assim que somos e assim será”.

Para o presidente do evento, Mauricio Ehrlich, o Brasil entrou com segurança na concorrência. “Estávamos certos de que a solicitação seria aceita e que teríamos experiência necessária e massa crítica de pessoal para organizar um evento de tal envergadura. Os eventos nacionais sobre o tema já chegam à 5ª edição”.

O primeiro evento de geossintéticos brasileiro aconteceu em 1991. Em 1999, a organização do 1º Simpósio Sul-Americano de Geossintéticos ficou sob responsabilidade brasileira. O professor Alberto Sayão, vice-presidente da comissão organizadora e representante da ABMS no evento, acredita que a vinda do evento para o Brasil é um indicador da eficiência do país. “Ter o evento de 2010 organizado pela IGS-Brasil e ABMS é um atestado do prestígio da engenharia geotécnica brasileira e da nossa posição de liderança sobre o assunto na América Latina”, destaca Sayão.

Para os organizadores, o evento, que já passou por países como França (1977), Áustria (1982 e 1998), Cingapura (1990), Holanda (1994), Estados Unidos (2002) e Japão (2006), chega ao Brasil em um momento em que a atividade de geossintéticos ganha mais espaço no mercado e na engenharia nacional.

“O país está descobrindo os geossintéticos. É uma área que tem crescido mais de 10% ao ano. Não apenas são materiais sintéticos, mas, no geral, eles permitem uma redução substancial do custo das obras se comparados às soluções clássicas e respeitam integralmente as questões ambientais”, explica.

“A engenharia civil brasileira está entre as melhores em nível mundial. As boas soluções podem ter caráter mundial, é necessário ter conhecimento técnico e criatividade para elaborar alternativas e estas são características do geotécnico brasileiro. O país conta com uma elite de profissionais de primeira linha e entidades dinâmicas, como a IGS Brasil e a ABINT (Associação das Empresas de Não-tecidos), que repassam o último conhecimento do setor”, relata Mauricio Eherlich, representante da IGS Brasil para o evento.

Os geossintéticos estão presentes em importantes instalações da infraestrutura brasileira. O Metrô de São Paulo, o revestimento do canal do Tietê e alguns aterros sanitários são alguns dos exemplos que carregam a alternativa em suas estruturas. O uso do material vai além. Estruturas de contenção, lagoas de deposição de rejeitos, sistemas de drenagem dos mais variados tipos e execução de estradas são outras aplicações. “A cada hora surgem novas aplicações e o Brasil está cada vez mais adotando isso. Merece um evento como esse”, destaca Bueno.

“A engenharia geotécnica brasileira é respeitada no exterior e a contribuição de nosso país é cada vez mais marcante. Dessa forma, o pleito brasileiro foi muito bem vindo. A realização do 9ª ICG no Brasil representa de fato um reconhecimento da nossa contribuição nesse campo”, resume Maurício Ehrlich, presidente da Comissão Organizadora.

“A 9ª ICG será uma oportunidade para melhorar conhecimentos e discutir tecnologias avançadas, descobertas científicas e soluções. O principal objetivo da Conferência é apresentar à comunidade os mais recentes desenvolvimentos, avanços e tecnologias internacionais em geossintéticos”.

Cerca de 300 artigos técnicos serão publicados nos anais do evento. Haverá ainda mini-cursos e palestras práticas. “Será uma excelente oportunidade para os especialistas se atualizarem e também haverá discussões que irão atrair também os não-especialistas interessados”, afirma Sayão, vice-presidente do evento.

“Estimamos que cerca de mil congressistas estejam no Guarujá. A Metade deles, estrangeiros, incluindo os maiores nomes nacionais e internacionais sobre o tema. O momento é muito propício para o sucesso do evento internacional de 2010, com muitas aplicações de geossintéticos em obras e pesquisas geotécnicas”.

Trajetória dos Geossintéticos

O termo geossintéticos foi incorporado recentemente ao vocabulário dos profissionais que estudam e projetam o solo. Pesquisas e aplicações de geossintéticos em obras civis chegam, em 2009, aos 26 anos ao passo que a mecânica dos solos brasileira completa 60 anos em 2010.

O capítulo geossintéticos vem sendo escrito já desde mais ou menos a metade da história da mecânica dos solos em nosso país. Em 1983, em Paris, foi fundada a IGS, então chamada International Geotextile Society. Desde então, o tema evolui e ocupou espaço também no Brasil.

Em 1987, o termo “geossintéticos” passou a ser mais difundido, englobando todos os tipos de materiais sintéticos e não apenas os geotêxteis, como no início. Naquele mesmo ano, a ABMS criou a Comissão Técnica de Geossintéticos e, em 1992, realizou o 1º Simpósio Brasileiro de Geossintéticos, em Brasília, sob a liderança do Prof. Ennio Palmeira.

Em 1995, era a vez do 2º Simpósio Brasileiro de Geossintéticos da ABMS entrar em cena, em São Paulo. O evento e o assunto ganharam destaque e surgiu, então, a necessidade de formalizar uma associação brasileira diretamente ligada à IGS (Sociedade Internacional de Geossintéticos), fato que foi oficializado em 1997, com a criação da IGS-Brasil. Desde então a Comissão de Geossintéticos da ABMS e a IGS-Brasil atuam de forma integrada.

 


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