Ex-presidente da ABMS avalia: “acidentes deveriam ser evitados”

quarta-feira, 27 de março de 2013 comentários

 

O temporal que em 20/3 atingiu Petrópolis, na região Serrana do Estado do Rio de Janeiro, provocou a morte de mais de 30 pessoas e deixou quase 1.500 desabrigados.  Chamado para analisar a situação por emissoras de rádio e TV, o ex-presidente da ABMS, Alberto Sayão, explicou que esses tipos de desastres poderiam ser previstos evitados ou minimizados. Segundo ele, a região ainda não possui um mapeamento adequado das áreas de elevado risco de deslizamentos, nem estava preparada para enfrentar os períodos de fortes chuvas. O especialista, que é também professor de Engenharia Geotécnica da PUC-Rio, lembrou ainda que desde meados da década passada a ABMS vem alertando para a criação de um órgão estadual, composto por engenheiros e geólogos, à semelhança da Geo-Rio, para estudar a região e definir planos eficientes de segurança das encostas. Imagem de Imprensa RJ, por Marcelo Horn.

 
Há cerca de dois anos, outros grandes desastres assolaram a região Serrana do Rio de Janeiro. Para Sayão, desde então, pouca coisa foi feita para prevenir novas tragédias. O engenheiro explicou porque a região é tão suscetível a catástrofes.
“Toda a região Serrana do Estado do Rio apresenta características similares”, afirma Sayão. “Tem ocupação desordenada, com casas instaladas irregularmente nas encostas, topografia com altas declividades e chuvas muito intensas nos meses de verão”. Ele lembra que os períodos de chuvas agravam a instabilidade dos solos e o risco de escorregamentos. “Quando o solo fica encharcado, com a saturação aumentada, uma chuva forte, como a do dia 20/3, pode provocar deslizamentos. Quanto mais água, menor a resistência do solo”.

Diante do caos provocado pelo desastre, o professor critica as medidas tomadas pelo governo local. “O prefeito diz que a prioridade é remover os mortos, mas a prioridade é evitar as mortes”. Para evitar os acidentes, ele ressalta a importância de fazer um mapeamento detalhado das zonas de risco, conforme as regras da boa engenharia.
“Estudos de mapeamento de risco iminente são menos importantes, por serem apenas qualitativos. O governo do estado tem sido seguidamente alertado pela ABMS quanto a isso”, declara Sayão. Outra iniciativa urgente de segurança seria a remoção dos habitantes das áreas de alto risco, e a realocação em áreas adequadas.

Sayão destaca: “a palavra crucial é prevenção”. E fala sobre outra medida importante para reverter a situação, a partir da criação de um órgão técnico, a nível estadual, composto por engenheiros e geólogos, aptos a identificar e quantificar os riscos e elaborar planos de contingência e aconselhar os governantes sobre as prioridades de  investimentos em segurança. “Não há um órgão com engenheiros e geólogos capacitados a orientar o governo do estado no que investir, quais as prioridades de prevenção e de realocação nas regiões de altíssimo risco. Este órgão faria isso tudo e avaliaria como gastar melhor os recursos disponíveis. É o que a Fundação Geo-Rio tem feito de forma eficiente no município do Rio de Janeiro”, nas últimas décadas.
Enfático, o professor relembra as várias soluções sugeridas pela ABMS, no dia 16 de abril de 2010, no Instituto de Engenharia, em São Paulo, quando foi apresentada ao público a “Carta Aberta às Autoridades”, documento conjunto da ABMS e ABGE.

Veja a seguir os principais trechos e as propostas do documento, assinado pelo engenheiro geotécnico Jarbas Milititsky, presidente da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (ABMS), e pelo geólogo Fernando Kertzman, presidente da Associação Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental (ABGE):

Para “interromper o avassalador fluxo de produção de novas situações de riscos geotécnicos”, que levam a tragédias como as ocorridas este ano no Rio de Janeiro, Ilha Grande, Angra dos Reis e São Paulo, municípios e estados precisam adotar um conjunto de cinco medidas urgentes, apresentadas no documento “Carta às Autoridades”.

Elaborado pelas duas principais entidades nacionais ligadas ao risco geotécnico, a ABMS, que reúne os engenheiros geotécnicos, e a ABGE, que reúne os geólogos de engenharia, o documento sustenta a necessidade de adoção imediata de cinco medidas principais:

Elaboração de Cartas Geotécnicas e Cartas de Riscos, a começar das áreas mais críticas

Monitoramento das áreas de riscos

Remoção de moradias instáveis

Capacitação de técnicos nos municípios e estados

Treinamento das comunidades situadas em áreas de risco

O documento ABMS/ABGE será apresentado ao público no próximo dia 16 de abril, às 17 horas, na sede do Instituto de Engenharia (Av. Dante Pazzanese, 120, Vila Mariana).

Confira abaixo as entrevistas sobre este mesmo tema com o professor Alberto Sayão em outros veículos:

Jornal da Globo News  – Globo News
‘Pouca coisa foi feita de dois anos para cá’, diz professor sobre chuvas no RJ

 

Jornal da Globo News – Globo News

Trabalho de prevenção não tem sido feito no estado do Rio, diz engenheiro

 

Programa Faixa Livre – Band

Parte 1

Parte 2

Programa Debate Brasil – AEPET
Enchentes e desastres naturais


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