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Grupo de Jovens Tuneleiros reúne estudantes e jovens profissionais

sexta-feira, 24 de julho de 2015 comentários

jovenstuneleiros-internaNo começo do mês de julho, o Comitê Brasileiro de Túneis da ABMS recebeu a primeira reunião do Grupo de Jovens Tuneleiros (CBT-Young Members). O evento, que contou com a palestra sobre ensaios in-situ da geóloga Mariana K. Caldo e do engenheiro Marcelo dos Santos, da empresa Alphageos, atraiu mais de 80 jovens entre estudantes e profissionais e foi um sucesso.

“Saí de lá muito contente”, conta Artur Quaresma, tesoureiro da ABMS, que representou a entidade no discurso de boas-vindas aos participantes. “O encontro todo foi extremamente interessante. Os palestrantes conseguiram envolver o público indo além do conteúdo que eles transmitiram, transformando o encontro em um grande bate-papo. Isso é um importante estímulo aos jovens”, diz.

Para Quaresma, iniciativas que envolvam jovens universitários e profissionais trazem muitas vantagens para o meio. “É uma oportunidade de trazermos para perto os jovens que serão os profissionais, associados e formadores da comunidade técnica amanhã. Muitas vezes são esses relacionamentos que os fazem crescer e se desenvolver como profissionais, além de ajudar a resolver uma série de problemas que acontecem no dia a dia da profissão”.

O Grupo de Jovens Tuneleiros

Ao definir algumas de suas metas, a Associação Internacional de Túneis (ITA) incluiu a criação de um Comitê de membros jovens, o ITA Young Members, com o objetivo de fortalecer e preparar uma nova geração de profissionais, a nível internacional, que venham a trabalhar na área.

“O Comitê Brasileiro de Túneis entende e compartilha das mesmas estratégias”, conta Jairo Pascoal Júnior, vice-presidente do CBT. “O CBT lançou e tem apoiado o Grupo de Jovens porque entende que as estratégias que levaram a ITA a criar o Young Members são importantes para o nosso mercado de trabalho e para o futuro profissional dos engenheiros, pois com o aumento das populações nas metrópoles, o uso do espaço subterrâneo crescerá cada vez mais”.

O Grupo foi oficializado junto à ITA em 2014, durante o World Tunnel Congress (WTC 2014) realizado pelo CBT em Foz do Iguaçu, no Paraná. Atualmente, o Grupo de Jovens do CBT conta com mais de 130 participantes de todo o Brasil. Os representantes do Grupo são os engenheiros Marlísio Oliveira Cecílio Júnior e Eloi Angelo Palma Filho, secretário executivo do CBT.

jovenstuneleiros2“O Grupo reúne jovens técnicos com até 35 anos que atuam, de alguma forma, em atividades relacionadas à área de escavação subterrânea – como engenheiros, geólogos, geógrafos, geofísicos, arquitetos. As atividades se desenvolvem como sendo um Grupo de Trabalho do CBT, no entanto, não é obrigatório ser associado ao Comitê”, explica Eloi Palma Filho.

De acordo com Marlísio, uma das motivações para a criação do Grupo foi a dificuldade de contato com obras de túneis, algo que muitos jovens profissionais enfrentam. “Não é muito fácil entrar neste mercado. Na graduação, o estudante de engenharia não tem contato com a área de túneis, então é preciso uma pós-graduação específica ou um treinamento dentro da empresa para adquirir os conhecimentos necessários”, explica.

“O Grupo será vantajoso principalmente para quem está se formando, porque é uma ótima ferramenta de networking entre os jovens e os profissionais mais experientes do meio”, declara Marlísio Oliveira. “O jovem membro do Grupo tem contato com outros engenheiros, participa de eventos e adquire o conhecimento que não consegue obter na faculdade”.

Os próximos passos do Jovens Tuneleiros serão organizar os meios de comunicação e interação entre os participantes, além dos encontros periódicos e visitas técnicas monitoradas em obras subterrâneas.

“A ideia é que os encontros tragam sempre uma palestra realizada por um dos integrantes do grupo – e nós já temos pessoas que têm o que compartilhar”, adianta Marlísio. “Essas palestras serão, ainda, acompanhadas por um profissional experiente convidado pelo palestrante, podendo ser um professor ou um colega de trabalho. Este profissional prestará apoio ao palestrante caso surja algum tipo de dúvida técnica do público”.

“Já em relação às visitas técnicas, elas serão agendadas sempre para depois das palestras, pois deverão ter relação com o tema discutido no último encontro”, explica o engenheiro.

Outro desafio do Grupo é mobilizar jovens profissionais e estudantes de outras regiões do país para ingressar nessa rede. “Infelizmente para o país, a grande maioria dos tuneleiros está em São Paulo”, diz Marlísio. “No entanto, quando o grupo estiver maior e fortalecido, pretendemos escolher juntos um representante de cada região do país, para que possam organizar e realizar em suas regiões palestras que sejam interessantes aos jovens de lá”.

Motivando novos engenheiros

akirakoshimaNa reunião inaugural do Grupo de Jovens Tuneleiros, o ex-presidente do CBT, Akira Koshima, esteve presente para um discurso sobre a história do Comitê. “Fiquei surpreendido pela quantidade de jovens, principalmente graduandos, que estão definindo as suas áreas de atuação”, diz. “Eles vieram com muito desejo de conhecer alguns aspectos práticos da engenharia”. (Na foto, o engenheiro Akira Koshima)

Não sem razão. De acordo com Koshima, ainda hoje os cursos de graduação em engenharia civil não têm espaço em sua grade curricular para discutir e mostrar aos graduandos a teoria aplicada na prática. “Muitas vezes o professor não encontra tempo para mostrar esses lados, porque é preciso ensinar profundamente os cálculos antes de qualquer coisa. E quando há alguma prática, a abordagem é superficial”.

Entretanto, na visão do ex-presidente, a prática é um dos aspectos que mais encantam os estudantes. “O jovem estudante, quando estuda mecânica dos solos, obras de terra e fundações, nem sempre vê a aplicação. E quando ele vê esses resultados aplicados na prática, ele valida e se empolga mais com o curso de engenharia. Ele percebe que o curso não lhe ensina a calcular por calcular, mas que toda a teoria tem fundamento na hora de aplica-la”.

“Por isso, considero fundamental trazer o pessoal jovem para essa comunidade tão específica de tuneleiros – e também para a própria ABMS”, diz. “A empolgação do jovem com a área depende também muito de quem está à frente, motivando, chamando a atenção”.
“Eu e muitos colegas só entramos na área da geotecnia por termos sido empolgados pelo saudoso professor Victor de Mello. E foi com ele que aprendemos também a importância de passar esse conhecimento para frente”, conclui.

Participe!

Acesse no site do Comitê Brasileiro de Túneis a aba “Young Members” ou clique aqui para mais informações de como se inscrever.

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