Painel do Associado

Indústria de fundações revela a sua força

quarta-feira, 25 de julho de 2012 comentários

Os números do SEFE7 falam por si. Quase três mil representantes de 30 países participaram do Seminário e da Feira, ambos realizados em São Paulo de 17 a 20 de junho deste ano. Houve um número recorde de trabalhos recebidos (104) – que dobrou em relação às edições anteriores. O evento contou também com a expressiva participação de representantes do DFI (Deep Foundations Institute), principal entidade internacional da área de fundações. “O SEFE7 tornou mais visível não só a competência técnica, que já era conhecida, mas também o poder econômico da indústria de fundações”, sustenta Clóvis Salioni Jr., presidente da ABEF, principal entidade promotora do encontro, que contou também com o apoio da ABEG, que reúne os projetistas, do SINABEF e do Núcleo São Paulo da ABMS. (Na foto, da esquerda para a direita: Clóvis Salioni Jr., Marcos Massao Futai, Jarbas Milititsky, James Morrison (DFI), José Luiz de Paula Eduardo (ABEG), Askar Zhussupbekov (Vice –President of ISSMGE for Asia).


Neste ano, uma das novidades do SEFE7 (Seminário de Engenharia de Fundações Especiais e Geotecnia) foi a realização simultânea da 1ª Feira da Indústria de Fundações e Geotecnia, em área de sete mil m2. A outra foi a participação do DFI (Deep Foundations Institute), principal entidade internacional da área de fundações, inclusive de seu presidente, James A. Morrison.

“O evento impressionou positivamente os representantes do DFI por suas dimensões, sua impecável organização e seu elevado grau de profissionalismo”, aponta Jarbas Milititsky, ex-presidente da ABMS, que presidiu o Comitê Científico do Seminário. Outro ponto observado pelo DFI foi a participação expressiva de “jovens engenheiros”. Jarbas cita também a boa impressão causada pelas dimensões da Feira e pelo interesse dos fabricantes de equipamentos em participar do encontro. A elevada qualidade dos trabalhos apresentados por brasileiros mereceu atenção dos representantes do DFI.

O presidente do Comitê Científico ressalta a excepcional importância da participação de nomes como David Sherwood, que fez a palestra inaugural do SEFE7. “Ele é um dos mais expressivos especialistas em fundações da Europa, tendo presidido por muitos a Federação Europeia de Empreiteiros  Executores de Fundações. Mostrou uma visão abrangente e crítica sobre a engenharia de fundações hoje no mundo, apresentando ainda algumas tendências mundiais na área de equipamentos”. A boa qualidade dos trabalhos, das palestras e das mesas redondas “estabeleceu um novo patamar de excelência para eventos como esse”, acredita Jarbas. (Na foto à esquerda: David Sherwood)

 

Núcleo São Paulo

Para Marcos Massao Futai, presidente do Núcleo São Paulo da ABMS, que participou da organização e da divulgação do evento, a parceria foi vitoriosa. “O SEFE7 superou muito as nossas expectativas”, disse. “Mudamos o formato, abrindo mais espaço para conferências, palestras e mesas redondas”. Outra diferença, segundo ele, foi a substituição dos relatos pela apresentação dos melhores trabalhos feita pelos próprios autores.

Massao cita outras características que fizeram o sucesso do encontro. “Trata-se de um encontro muito focado. Os temas são sempre ligados a fundações, obras geotécnicas e aplicações práticas”. Essa convergência aproxima os profissionais da engenharia dos pesquisadores e acadêmicos – o que faz “com que tenhamos resultados que podem facilmente ir para a prática”, explica o presidente do Núcleo São Paulo.

“Manter nossa parceria com entidades como ABEF, SINABEF, ABEG e outras dessa qualidade só produz benefícios para todas elas”, sustenta Marcos Massao. “Conseguimos reunir, em um movimento de grande sinergia, os profissionais, os projetistas, os executores e os fabricantes de equipamentos para fundações e obras geotécnicas”.

Brasil: muito ainda por fazer

Para o presidente da ABEF e do SEFE7, Clóvis Salioni Jr., o evento aconteceu em um momento muito propício. Ele lembra que nos anos mais recentes o Brasil voltou a investir em infraestrutura e, portanto, em obras geotécnicas. “Mas 90% delas ainda estão para serem construídas. Precisamos somar forças e fazer com que os projetos em andamento não fiquem parados ou só prossigam muito lentamente, levando 10 anos quando estavam projetados para serem realizados em cinco”. (Na foto, à direita: Clóvis Salioni Jr.)

Ele acredita que a indústria de fundações no Brasil já é reconhecida por sua competência técnica. Desta vez, com o SEFE7, o setor foi visto por um novo ângulo – a sua força econômica. A indústria de fundações faturou R$ 350 milhões em 2011, respondendo por 4% do PIB da construção civil.

Salioni acredita que o setor precisa estar mais próximo do Poder Público, justamente para influir sobre o ritmo das obras necessárias ao país. Ele lembra que isso já começou a acontecer depois das grandes tragédias geotécnicas, como os deslizamentos em várias regiões brasileiras. Com o alerta dos técnicos, o Governo acordou para o assunto e já vem tomando providências importantes.

Em relação à concorrência externa, Salioni não vê dificuldades – salvo no caso de empresas que realizam ações pontuais no Brasil, participam de obras específicas, não se instalam efetivamente, trazem mão de obra de forma irregular e depois vão embora. Já as empresas internacionais que se instalam regularmente no país “são bem vindas”.

“Nossas empresas estão instaladas em várias partes do mundo e participam de obras na Europa, nos Estados Unidos e África. Temos competência técnica e capacidade de gestão para concorrer em igualdade de condições – no Brasil ou fora daqui”.

A expectativa do presidente da ABEF é muito positiva em relação ao futuro próximo. “Recursos para os investimentos de infraestrutura há. O que não se pode é perder de vista os prazos, o cronograma das obras”. Ele cita algumas delas: as obras dos metrôs, o Monotrilho em São Paulo, o Porto Maravilha no Rio de Janeiro, a Vila Olímpica, o Rodoanel, os estádios esportivos e muitas obras viárias.
Clóvis Salioni Jr. assegura que a indústria de fundações no Brasil está pronta para cumprir bem o seu papel e fazer deslanchar essa massa de obras. “Temos capacidade de investimento e capacidade técnica de competição”.

 


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