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Indústria e academia colaboram para o avanço da Engenharia Geotécnica no Brasil

sexta-feira, 30 de outubro de 2015 comentários

academiaindustriaindustriainternaA parceria entre universidade e indústria é fundamental para o desenvolvimento da Geotecnia no país, a exemplo do que acontece em outros lugares do mundo. Fazendo pesquisas aplicadas e formando profissionais, a academia trabalha para que as empresas disponham de soluções adequadas para cada problema geotécnico. Para falar desse importante tema, a ABMS convidou três especialistas com larga experiência nas relações entre os mundos acadêmico e profissional: Alberto Sayão, ex-presidente da entidade, atual secretário geral da ANE (Academia Nacional de Engenharia), professor da PUC-Rio e coordenador do programa de seminários que celebra os 50 anos da pós-graduação em Engenharia Civil nesta entidade, Ennio Palmeira, ex-editor da revista Soils and Rocks e professor da UnB (Universidade de Brasília), e Márcio Almeida, ex-secretário geral da ABMS e professor da COPPE-UFRJ. Os três assinam este editorial. Leia a íntegra.

“A PUC-Rio foi uma das primeiras universidades brasileiras a oferecer um curso moderno de pós-graduação em Engenharia Civil, com especialização em Geotecnia. Grande parte dos cursos de pós-graduação em Geotecnia do Brasil tem em seus quadros professores com mestrado ou doutorado na PUC.

“Em 2015, o Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da PUC-Rio completa 50 anos, com mais de mil teses e dissertações defendidas e aprovadas. Para celebrar esta data foi preparado o programa de seminários em Engenharia Civil, com o apoio da ABMS e outras entidades da nossa engenharia. Mais de 40 seminários foram programados para este ano, com palestras semanais, voltadas para a prática da engenharia, em geral apresentadas por ex-alunos ou ex-professores da PUC-Rio que são hoje profissionais de renome do meio técnico nacional.

“O programa de palestras foi idealizado com o objetivo de mostrar técnicas e experiências modernas aos estudantes e permitir o contato com a prática, complementando os aspectos teóricos mostrados nas aulas de pós-graduação. O próprio programa de seminários é um bom exemplo de parceria entre universidade e indústria, pois conta com o apoio da Huesker e Maccaferri, empresas com larga tradição de incentivo e participação em projetos de pesquisas de pós-graduação nas nossas universidades.

“Os cursos de pós-graduação do país, principalmente de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, recebem muitos estudantes estrangeiros, sobretudo da América do Sul. Isto mostra o prestígio do ensino brasileiro aos olhos dos nossos vizinhos. Para o Brasil, é importante fortalecer essa posição de liderança. Os estudantes estrangeiros que tiveram uma oportunidade de vir estudar no Brasil, muitas vezes com bolsas de estudo brasileiras, tiveram acesso a um ensino de excelência e retornam para seus países com uma imagem positiva do nosso país. Por outro lado, os brasileiros têm também a oportunidade de conhecer colegas com experiências e culturas diferentes.

A universidade cumpre assim um papel de formação não apenas para brasileiros, mas para profissionais de diversos países que procuram as universidades brasileiras para complementar sua formação.

Para a ABMS, a formação de novos profissionais geotécnicos garante o futuro da entidade. São esses jovens que integram o quadro de associados e poderão formar as futuras diretorias da entidade, em seus diversos núcleos regionais e comitês especializados.

“Na Universidade de Brasília (UnB), diversas pesquisas são realizadas na área da Geotecnia, em especial de geossintéticos, trazendo soluções para problemas encontrados na engenharia, seja na redução de custos ou na minimização de impactos ambientais das obras geotécnicas.

“Essas pesquisas já trouxeram resultados significativos e muitos deles já são aplicados na prática, como soluções de baixo custo para controle de erosões, tratamento de efluentes e aterros sanitários com filtração com geotêxteis, além de outras soluções de baixo custo envolvendo a utilização de geossintéticos e/ou de materiais de construção alternativos.

“As pesquisas que levaram a essas soluções não seriam possíveis, no entanto, sem a participação das empresas. Não raro, são elas que identificam as necessidades e dificuldades nas suas atividades técnicas e trazem os problemas para a universidade, pedindo ajuda e incentivando pesquisas para encontrar as soluções mais adequadas.

A parceria entre universidade e empresa é essencial e traz benefícios mútuos. A academia aprende muito com o profissional da área prática. E o pesquisador também tem grande contribuição a dar às empresas.

“Essa parceria universidade/empresa acontece também de forma intensa na COPPE (UFRJ), através da Fundação COPPETEC (Fundação Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos Tecnológicos), um braço da instituição para o contato com a indústria, cujo Grupo de Geotecnia foi criado em meados dos anos 60 por Dirceu Velloso, Jacques de Medina e Willy Lacerda, na ocasião vindos da indústria e trazendo sua experiência para a COPPE-UFRJ. A grande maioria dos grupos de Geotecnia das universidades brasileiras têm ex-alunos da COPPE.

“Na Fundação COPPETEC, as empresas solicitam estudos à universidade. Trata-se de uma consultoria especializada. Os pesquisadores analisam problemas novos que vão surgindo e apresentam os resultados às empresas.

“Nesse contexto, o papel da universidade é contribuir para o desenvolvimento da engenharia, buscando novas soluções, novas técnicas e formando profissionais preparados para enfrentar os problemas do dia a dia da profissão.

“A ABMS tem também um papel importante no sentido: o de aproximar os meios acadêmico e técnico e disseminar todo este conhecimento gerado na academia. É para isso que a ABMS trabalha regularmente, editando revistas técnicas conceituadas e promovendo qualificados encontros técnicos, seminários e congressos.

“Até breve!”

Alberto Sayão
Ex-presidente da ABMS, secretário geral da ANE e professor da PUC-Rio

Ennio Palmeira
Ex-editor da revista Soils and Rocks e professor da UnB

Márcio Almeida
Ex-secretário geral da ABMS e professor da COPPE-UFRJ


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