Instituições ressaltam importância da geotecnia e mecânica dos solos

quarta-feira, 12 de maio de 2010 comentários

Em matéria sobre cursos de geotecnia e mecânica dos solos, USP Online destaca a importância dos geotécnicos na resolução de problemas que afetam a sociedade, como o escorregamento de solo.

USP Online – Luisa Caires

Geotecnia é o campo da engenharia civil que trata do comportamento dos solos e rochas e como estes materiais reagem às ações antrópicas (humanas) e da natureza. Com os recentes desastres envolvendo a intervenção do homem no meio ambiente, como desabamentos em encostas e contaminação de solos, um de seus ramos em mais evidência no momento é a geotecnia ambiental – disciplina pesquisada tanto na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP quanto na Escola Politécnica (Poli) da USP. Esta ciência busca usar os conhecimentos geotécnicos para a prevenção e resolução de problemas do gênero, e inclui aspectos como a geologia de engenharia, e a mecânica dos solos e das rochas, como define o professor Osni José Pejon, da EESC.

“A geotecnia tradicional sempre trabalhou com a intervenção no meio ambiente, mas sem a preocupação específica de evitar ou remediar os problemas gerados pela ação antrópica, que é o que faz especificamente a geotecnia ambiental”, explica Fernando Marinho, professor da Poli, que acrescenta que a área exige ação multidisciplinar. É o caso, por exemplo, da disposição de resíduos domésticos e industriais – assunto pesquisado pelas duas escolas: a atuação em conjunto com biólogos, químicos e geólogos é quase sempre necessária.

O problema do lixo

Projeto em Campinas quer estimular e quantificar atividade das bactérias metanotróficas (que oxidam o gás metano) na cobertura de aterros sanitários. Um projeto da Poli coordenado por Marinho, em parceria com a bióloga Vivian Pellizari, docente do Instituto Oceanográfico (IO) da USP, pesquisa em Campinas diferentes materiais e métodos para cobertura do aterro sanitário Delta A1. A meta é otimizar a oxidação do metano (CH4) por bactérias, para diminuir a emissão do gás – o mais nocivo ao aumento do efeito estufa – na atmosfera. “Um dos nossos objetivos é a quantificação, isto é, saber quanto de metano está sendo deixado de ser emitido. Para isso, o desafio é desenvolver um sistema de monitoramento.”, conta o professor da Poli.

Também tratando da disposição de resíduos, o professor Osni Pejon desenvolve na EESC uma pesquisa de materiais naturais que podem ser usados como barreira protetora, retendo os contaminantes e impedindo a contaminação do solo e da água subterrânea em São Carlos. “A disposição de qualquer resíduo não pode ser feita sem estudos prévios das características do solo, relevo e posição dos aquíferos, para que não haja risco de contaminação. Na maioria das cidades, lixões e aterros não fazem a proteção correta, e um dos motivos é o custo – é por isso que pesquisamos materiais naturais disponíveis no solo da própria região, o que barateia o sistema”, explica o docente.

Ocupação segura de encostas

Na Poli, as pesquisas de geotecnia ambiental são realizadas principalmente no Laboratório de Mecânica dos Solos, do qual Fernando Marinho faz parte. Um outro estudo conduzido pelo professor no Laboratório teve início em 2008 e entra agora em sua segunda etapa. Em conjunto com o Instituto Geológico (IG) do Estado de São Paulo, foi desenvolvido um sistema de instrumentação que avalia como se dá o processo de infiltração da água na região da Serra do Mar, o que pode variar dependendo da inclinação do terreno, da condutividade hidráulica e do uso e ocupação do solo.

“Com o conhecimento adquirido, a ideia agora é colocar estes instrumentos em encostas com risco de escorregamento. Compreendendo como se dão tais processos na região, no futuro há a possibilidade do sistema ser usado para monitorar áreas e indicar, por exemplo, a necessidade de desocupação”, projeta Marinho.

A EESC também pesquisa áreas de encostas (inclinação elevada) com probabilidade de deslizamento. Sob a coordenação do professor Lázaro Valentin Zuquette, estudos têm avaliado o risco de movimentos de massa gravitacionais ou relacionados a processos erosivos em cidades como Campos do Jordão (SP) e Ouro Preto (MG), envolvendo, entre outras coisas, a elaboração de cartas (mapas) geotécnicas.

Tragédias
O professor Fernando Marinho esteve em 2008 em Santa Catarina, na ocasião dos numerosos desabamentos ocorridos após as chuvas no Estado. “O grande problema destas catástrofes é os órgãos públicos não impedirem a ocupação de áreas de longa data conhecidas pela grande suscetibilidade a rupturas”, lamenta.

Mesmo em locais como o Rio de Janeiro – segundo o pesquisador, local com boa infraestrutura e informações relacionadas às encostas – as pessoas continuam ocupando áreas inadequadas. “No caso do Morro do Bumba, em Niterói, a ruptura colocou em evidência outra questão, que é as pessoas morarem sobre antigos lixões. Além de ser um material altamente instável devido à sua colocação desordenada, há o problema da insalubridade. O próprio gás metano liberado pode gerar explosões, como já ocorreu em uma ocupação em Itapecerica da Serra [SP] há alguns anos”, comenta.


Comentários


Instituições ressaltam importância da geotecnia e mecânica dos solos

  1. Luiz Felipe Soares Marçal disse:

    Não há evidências alguma que o metano (CH4) contribui para o ”efeito estufa”. Além do mais o efeito estufa é simplesmente uma hipótese que não carece de provas científicas. É um absurdo achar que o metano ou qualquer outro gás causaria o efeito estufa. O metano equivale simplesmente 0,000179% na atmosfera. Ao contrário disso, quem realmente controla o clima da terra é o sol e os oceanos ( que equivalem a 71% do planeta). A extração de metano de depósitos geológicos possibilita o aparecimento de um combustível mineral, este pode ser usado com uma fonte de energia alternativa.

  2. Mhaara Karolyne disse:

    Em relação ao desliamentos nos morros, temos o comportamento destes solos, é uma reação em relação às ações do homem em ocupar estas a regiões objeto da ocupação urbana. Este comportamento depende da forma com que se dá esta ocupação, associada à topografia local e sistema de drenagem, além é claro, das propriedades de resistência, deformabilidade e hídricas. Através de mapas geológico-geotécnicos e geomorfológicos, sondagens nos locais de interesse e ensaios laboratoriais e de campo, o geotécnico pode analisar a situação de risco existente e propor alternativas de soluções para o problema em potencial. As áreas de riscos de deslizamentos, são via de regra, formadas por encostas ou regiões com topografia montanhosa, apesar de existirem situações de riscos formadas por desníveis, que poderiam ser considerados até pequenos (isto é, cerca de cinco metros). Como as obras de escavações e aterros, são executadas sem a devida orientação e sem o bom disciplinamento das águas de chuva e servidas, além do lançamento de lixo, acaba ocorendo o deslizamento.

  3. Amanda Silveira Rocha disse:

    Devido às graves conseqüências que qualquer escorregamento pode causar para populações, o estudo da estabilidade de encostas naturais é um dos grandes desafios da engenharia geotécnica,
    escorregamentos, deslizamentos, rastejos e quedas, sao movimentos de massa que ocorrem em encostas de solos ou rochas sob a ação da gravidade.Existem vários métodos de investigação de subsolos, mas no Brasil o mais comum é a sondagem a percussão com determinação de SPT. A partir da sondagem, se obtém variadas informações como o perfil do solo de metro a metro, o nível do lençol subterrâneo ( que pra quem não sabe é o principal fator determinante da resistência dos solos), e a determinação da resistência do solo às tensões. Um engenheiro de posse dessas informações poderá tomar decisões de projeto e execução mais eficientes, precisas, seguras e econômicas, como por exemplo o melhor posicionamento da edificação no terreno, e o melhor tipo de fundação.O lixo acumulado nas encostas também causa danos à natureza. “O solo fica fragilizado com a decomposição do lixo orgânico, deixando-o ainda mais perigoso no caso de construções irregulares e corte irregular no terreno.

  4. Camila Ferreira de Amorim disse:

    O crescimento desordenado das cidades e o aumento das regiões com solo impermeável aumentam muito a quantidade de água que escoa pela superfície e cai no sistema de drenagem urbana. Esse é um dos fatores que mais agravam as enchentes nas cidades brasileiras.
    Como é de conhecimento comum, o excesso de água que infiltra no terreno é, quase sempre, a principal causa de deslizamentos e rupturas nos solos das encostas e, por isso, nessas regiões quase nunca é recomendado infiltrar a água no solo ou mesmo reter a água em reservatórios.
    Para evitar que as águas drenadas das encostas causem alagamentos nos bairros vizinhos, uma técnica compensatória que pode ser utilizada é a de reservatórios de detenção nos pés dessas encostas. Esses reservatórios recebem a água que desce rapidamente dos sistemas de drenagem das encostas e segura essa água por um tempo, até que a chuva passe, ou seja, funciona como um piscinão, que evita a sobrecarga do sistema de drenagem durante as grandes chuvas.

  5. Gabriela de Oliveira disse:

    Existem diversas soluções para combater a agressão que o lixo causa nos solos, além das soluções citadas de projetos da Poli temos estudos de transformação do lixo em energia, o que resolveria dois dos nossos grandes problemas, que é local para dispor o lixo gerado e uma nova fonte de energia já que as nossas estão cada vez mais escassas. Tudo faz parte de um ciclo que precisa ser estruturado de ponta a ponta, lixo é oportunidade de melhoria e o ser humano não tem investido nisso. Ex: http://www.educacao.cc/ambiental/geracao-de-energia-a-partir-do-lixo/

  6. Betynna Figueredo disse:

    Acredito que essa matéria aumenta o nosso conhecimento pois é suma importância, a partir dela podemos conhecer o solo e ver onde pode ser construído e como deve ser construído. Engenharia Civil não basta você saber fazer calculo, precisa conhecer o solo. Devido a esse conhecimento podemos evitar problemas futuros como desabamento e problemas no meio da obra. Quanto ao lixo não é apenas um problema de saúde pública mas cada um de nós devemos colaborar, pois lixo produz chorume e gás metano e isso pode causar mal saúde e também danos a imóveis e pode até infiltrar nos lençóis freáticos. Um exemplo é o caso em São Paulo de um Shopping que foi construído em um antigo aterro sanitário, que hoje apresenta problemas como o piso do Shopping está estufando.

  7. Juliana Guerra disse:

    A geotecnia é o campo da engenharia civil que estuda os solos e rochas é como esses reagem as ações do homem.Nos últimos anos a “questão” ambiental tem gerado grande preocupação,é a geotecnia com todas as suas vertentes tem ganhado cada vez mais destaque:prevenção de desabamentos,desmoronamentos,deslizamentos,lençol freático.
    O problema do lixo,ocupação de encostas são alguns dos projetos que a geotecnia atua,a ideia é eliminar e minimizar essas situações,de forma sustentável sem degradar o meio ambiente e segura para a população.É essencial o estudo geotecnico de uma area,para evitar estes e muitos outros problemas

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