Painel do Associado

Integração e melhora do nível profissional são os principais desafios do novo vice-presidente

sexta-feira, 26 de julho de 2013 comentários

O ex-presidente da ABMS, Jarbas Milititsky, foi eleito vice-presidente da ISSMGE (International Society for Soil Mechanics and Geotechnical Engineering) para a América Latina para o período de 2013 a 2017. A posse ocorrerá durante o Congresso Internacional da ISSMGE, em Paris, na França, de 2 a 5 de setembro de 2013, juntamente com a posse da nova Presidência e das demais Vice-Presidências. No editorial abaixo, Jarbas Milititsky fala sobre seus planos e desafios no novo cargo. Confira.

“A Vice-Presidência da ISSMGE para a América Latina é para mim o coroamento de uma trajetória profissional em que dediquei boa parte dos meus esforços retribuindo à sociedade aquilo que ela me proporcionou, com intensa participação fora do âmbito estritamente profissional. Serei mais um brasileiro ocupando o cargo que de forma destacada já foi preenchido por colegas no passado e espero estar à altura do desafio.

Creio que a escolha para ocupar este cargo seja o reconhecimento da importância, excelência e peso específico da contribuição profissional e acadêmica de nossa comunidade, reconhecida pela competência e participação em atividades profissionais, contribuições em congressos e número de associados de nossa Associação, a ABMS. O nível das atividades e eventos aqui desenvolvidos, a excelência dos programas de pós-graduação, dos profissionais e das empresas e a publicação de revista especializada – a Soils and Rocks – por nossa Associação certamente tem repercussões e reconhecimento regionais e internacionais.

Tenho pela frente o enorme desafio de aproximar a comunidade de engenheiros, geotécnicos e profissionais da área da América Latina para que o conhecimento de cada um seja disseminado e compartilhado por todos. O intercâmbio de técnicas e de experiência na solução de problemas  que cada profissional e cada país tem de melhor e mais positivo é fundamental para a aproximação das várias associações latinoamericanas.

Acredito que o compartilhamento de conhecimentos pode auxiliar a sociedade de forma produtiva e também ajudar a promover a conscientização na sociedade ampla da importância da engenharia e da geotecnia, considerando sua contribuição inestimável ao desenvolvimento.

A atração de eventos internacionais para a América do Sul, com a participação de integrantes das várias associações, dará importante contribuição na qualificação e aprimoramento dos profissionais. O Brasil tem papel importantíssimo na formação de recursos humanos qualificados com sua rede de programas maduros de pós-graduação em geotecnia e esta aproximação certamente dará um impulso na formação de profissionais na região, não só para a prática profissional mas também para as escolas de engenharia dos demais países, onde o processo de implantação da pós-graduação em engenharia é mais recente ou ainda incipiente.

A experiência

Participei da formação de engenheiros civis por cerca de 35 anos em minha atividade acadêmica. Ao longo deste tempo, vivenciei momentos de euforia, como a década de 70 – o Milagre Brasileiro, e momentos de profunda estagnação, sem mercado de trabalho para os egressos da universidade. A falta de desenvolvimento, durante muito tempo, resultou numa infraestrutura limitada em todo o território nacional e desestímulo pela carreira de engenheiro. Esta certamente é uma realidade nos demais países da América do Sul, resguardadas as peculiaridades de cada país.

O continente precisa de mais e melhores estradas, portos, aeroportos, parques de geração de energia, hidroelétricas, parques industriais, transporte urbano de massa, implantação de infraestrutura na área de petróleo e gás, entre outros. No entanto, vejo que temos na região uma enorme carência na formação de número satisfatório de engenheiros capazes de enfrentar estes desafios e tornar promissor o mercado profissional.

Durante o período de presidência da ABMS tive a oportunidade de conhecer regiões em franco desenvolvimento, com parques de equipamentos e competência profissional diferenciada face ao passado, como o Centro-oeste e o Nordeste. É oportuno lembrar que o desenvolvimento brasileiro em engenharia civil foi realizado sempre com “know how” exclusivamente nacional. Precisamos atrair para a profissão e formar mais e melhores engenheiros, e a área de geotecnia certamente estará aquecida por um bom período neste futuro próximo.

Com o desenvolvimento acelerado do conhecimento e tecnologia, novos processos, novas técnicas, novas ferramentas estarão disponíveis e cada vez mais contribuirão para uma melhor prática. E somente o intercâmbio e aproximação tornarão isso possível.

Os desafios são cada vez maiores. Obras são realizadas em condições extremamente adversas. A escala dos problemas aumentou de forma significativa. Para o enfrentamento dos problemas colocados vemos não somente o avanço no desenvolvimento de equipamentos e processos construtivos, mas também a diversificação de prestadores de serviços de tecnologia avançada, implementação de instrumentação e controle, fornecedores e operadores qualificados de ferramentas modernas de análise, ensaios de campo e laboratório, assim como campos novos fora da tradicional prática de geotecnia, que abre espaço para um número significativo de novos profissionais com formação avançada e necessitando de permanente atualização de conhecimentos. A formação continuada se faz necessária como nunca por todos os aspectos.

A promoção da integração e a melhoria do nível profissional são desafios permanentes. Estou frente a uma nova etapa que espero desempenhar de forma positiva com a colaboração da comunidade geotécnica brasileira e dos demais países. A mobilização e o incentivo à participação de todos certamente é o maior desafio.

Jarbas Milititsky
Vice-presidente da ISSMGE para a América Latina
Ex-presidente da ABMS


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