Painel do Associado

Mais de 60 anos dedicados à Engenharia Geotécnica

terça-feira, 18 de novembro de 2014 comentários

Dos quase 82 anos de vida, Moacyr Schwab de Souza Menezes dedicou 59 anos à Engenharia Geotécnica. Formado pela Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (UFBA), cursou mestrado na Universidade de Purdue, Indiana (Estados Unidos) e foi o responsável pela implantação do curso de Mecânica dos Solos e Fundações na Politécnica da UFBA em 1959. Foi ainda engenheiro do DERBA (Departamento de Infraestrutura de Transportes da Bahia) durante 13 anos. Atuou também no setor privado, nas empresas Tecnosolo, Tenpo – Técnica, Engenharia, Planejamento e Organização e Geotécnica. Hoje é consultor e sócio da Geotest Projetos e Consultoria S/S. Participou ainda da fundação do Núcleo Regional Bahia da ABMS e foi membro de sua diretoria por aproximadamente três décadas. Esta longa e notória trajetória fez de Moacyr Schwab o escolhido para receber o troféu “Homenagem Prêmio Milton Vargas 2014”, concedido pela Revista Fundações & Obras Geotécnicas a profissionais que contribuíram significativamente para a engenharia geotécnica brasileira. Leia abaixo o texto de entrevista por telefone assinado por Moacyr, no qual ele fala sobre carreira, ABMS e desafios da engenharia brasileira.

“A homenagem do Prêmio Milton Vargas foi a maior surpresa para mim. Quando a equipe da Revista me perguntou se poderia incluir meu nome entre os potenciais candidatos e explicou o processo de escolha, concordei, mas informei, de antemão, que a probabilidade de vir a ser escolhido seria mínima. Isso porque, ao verificar apenas os três primeiros nomes que se enquadravam na categoria, constatei que eram amigos meus de longa data e todos eles profissionais de renome nacional e internacional, com currículo rico em atividades de ensino, pesquisa e consultoria. Ainda assim, diante da insistência por parte da Revista, decidi comparecer à cerimônia e lá foi anunciado que eu havia sido escolhido como homenageado especial.

Esse prêmio tem um valor muito especial, pois conheci bem o Professor Milton Vargas, que sempre foi um referencial para mim. Mantive poucos contatos pessoais com ele, mas todos muito proveitosos, não apenas pela pessoa humana que era, como também pelo aprendizado através do que escreveu e publicou. Eu o considerava um amigo e, assim, receber um prêmio com o nome dele muito me honra.”

Carreira

Ainda durante a faculdade, trabalhei na Rede Ferroviária Federal através de um estágio não remunerado e participei como desenhista auxiliar do projeto estrutural do prédio da atual Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (EPUFBA), sob a supervisão dos professores Hernani Sávio Sobral, Carlos Furtado de Simas e Alberto Dantas Sant’Anna, que ministravam as disciplinas de Materiais de Construção, Pontes e Concreto Armado, respectivamente.

Em 1955, quando me formei, já estava como engenheiro contratado do DERBA para atuar no Laboratório de Solos e Betumes. Em HomenagemPremioMiltonVargas2014-11957, fui selecionado como bolsista do Rotary Club da Bahia para cursar mestrado na Universidade de Purdue, Indiana (Estados Unidos). O curso, ministrado em dois semestres mais um período de férias, tinha como principal área de estudo “Pavimentação”, mas cursei e também fui avaliado nas disciplinas das áreas de “Materiais”, “Mecânica dos Solos”, “Ensaios em Solos” e “Fundações”, complementadas com estágio no laboratório de solos da Universidade de Purdue. Meus grandes mestres foram o professor Eldon J. Yoder, em pavimentação, e Gerald Leonards, em mecânica dos solos e fundações. O diploma (MSCE, non thesis option) foi concedido em 1958, após haver obtido permissão especial para cursar e ser avaliado em número de disciplinas superior ao do currículo normal. Na foto, Moacyr Schwab recebendo o troféu das mãos de Francisjones Lemes, diretor-executivo da Revista Fundações & Obras Geotécnicas.

De volta ao Brasil, retomei meu trabalho no DERBA e fui contratado pela Universidade Federal da Bahia para instalar, em 1959, o curso de Mecânica dos Solos e Fundações na Escola Politécnica, graças à visão e ao empenho do professor Hernani Sobral que lutou pela criação do curso. Minha missão foi estudar e implantar a disciplina, até então inexistente no estado da Bahia: Mecânica dos Solos e Fundações (à época, denominada matéria, com duração de dois semestres). Durante quase uma década, arquei com a responsabilidade exclusiva de lecionar a mesma, passando, posteriormente, a compartilhá-la, até o ano de 1981, com outros professores.

Trabalhei ainda na Tecnosolo, de 1967 a 1968, onde convivi e aprendi muito com o professor Antônio José da Costa Nunes. Depois, de 1969 a 1975, fui para a TENPO – Técnica, Engenharia, Planejamento e Organização Ltda. Ali atuei em obras como os 200 km da BR-101 no trecho entre Rio Pardo e Itamaraju e a duplicação da BR-324-BA, entre Salvador e Feira de Santana. Em 1976, fui contratado pela Geotécnica S.A., onde permaneci até 1981 atuando em projetos e acompanhando obras geotécnicas e de pavimentação.

Foi em 1981 que decidi atuar como consultor autônomo, atividade que exerço até hoje, nas especialidades geotecnia, fundações e pavimentação, havendo participado de obras no Maranhão, Piauí, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e São Paulo, além de Bolívia e República Popular do Congo. Hoje, sou sócio da empresa Geotest Projetos e Consultoria S/S.

E essa é a minha experiência profissional.

ABMS

Tive a honra de colaborar com o meu professor e guia profissional, Hernani Sávio Sobral, na criação do Núcleo Regional Bahia da ABMS. E ainda de atuar como secretário, tesoureiro, vice-presidente e presidente por diversas vezes, durante mais de três décadas. Participar do NRBA da ABMS e trabalhar na organização de alguns simpósios foi a semente da minha vida profissional. E, em 2008, tive a imensa honra e prazer de receber o título de Sócio Emérito da ABMS.

Até hoje, a ABMS é o órgão mais importante profissionalmente para mim. É onde tenho a oportunidade de participar de congressos e aprender com os técnicos que mantêm meu conhecimento atualizado. Além dos livros que adquiro e que me ajudam nesta atualização. A ABMS reúne os principais profissionais e acadêmicos brasileiros na área de Geotecnia e, assim, promove a atualização de toda a comunidade geotécnica por meio dos congressos. Tenho certeza de que a entidade vai continuar crescendo e mantendo esse padrão de seriedade com que ela cuida dos interesses dos engenheiros geotécnicos.

Outra iniciativa que começou e que eu espero que continue é a certificação de empresas de sondagem e cursos para sondadores. Isto é fundamental porque a sondagem (NBR 6484:2001) é um dos ensaios de campo mais realizados no Brasil e cujo nível é baixíssimo.

Por fim, espero continuar vendo, e ver cada vez mais, a ABMS manifestando-se quando acontecem grandes acidentes. A engenharia brasileira está sendo desmoralizada por causa de uma minoria de engenheiros irresponsáveis. Isso é uma estatística fácil de constatar. Nos últimos cinco anos, por exemplo, quantas barragens romperam, quantas obras de arte estão tendo problemas? Qual é a vida média de nossas rodovias? Este é um serviço que acredito que ABMS pode e deve prestar não apenas à comunidade técnica, mas à sociedade civil como um todo. A entidade já vem fazendo isso, e espero que o faça mais e mais.

De minha parte, estou à disposição para ajudar em tudo o que estiver ao meu alcance!

Moacyr Schwab de Souza Menezes
Ex-presidente do NRBA e Sócio Emérito da ABMS
Vencedor do troféu “Homenagem Prêmio Milton Vargas 2014”

Fotos: Revista Fundações & Obras Geotécnicas


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