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“Mais geotecnia, Brasil”, sugere o presidente da ABMS em artigo para a revista Engenharia

quinta-feira, 27 de maio de 2010 comentários

Em artigo publicado na Revista Engenharia (Edição 598, de maio de 2010), o presidente da ABMS, Jarbas Milititsky, fala da importância da geotecnia e das ações de mapeamento e gestão de risco para evitar que tragédias com deslizamentos de terra se repitam. “O drama dos deslizamentos, que atemoriza milhões de brasileiros todos os anos, é ainda mais terrível para quem conhece o problema de perto, para quem se dedica a estudar o movimento dos solos e rochas, para quem faz da geotecnia o centro de sua atividade científica e profissional. No coração desse tema está especialmente o engenheiro geotécnico e o geólogo de engenharia, que se dedicam a estudar e a oferecer soluções envolvendo a estabilidade de encostas, obras de contenção, fundações, barragens.” Leia a seguir a íntegra do artigo.

Mais geotecnia, Brasil

Dezenas de brasileiros são enterrados vivos todos os anos. Acordados durante a noite para o pesadelo do deslizamento e da morte, como aconteceu agora em abril no morro do Bumba, em Niterói (RJ). Soterrados sob o peso de toneladas de lixo, solo e escombros. Morrem sozinhos, abraçados à própria dor, misturados à chuva e à lama, insultados em sua dignidade até no momento final. Diante desta realidade, repetida a cada verão, ficamos todos estarrecidos e consternados – muitas vezes inertes, como se a chuva torrencial fosse um fenômeno inesperado e incontornável em seus efeitos e consequências.

O drama dos deslizamentos, que atemoriza milhões de brasileiros todos os anos, é ainda mais terrível para quem conhece o problema de perto, para quem se dedica a estudar o movimento dos solos e rochas, para quem faz da geotecnia o centro de sua atividade científica e profissional. No coração desse tema está especialmente o engenheiro geotécnico e o geólogo de engenharia, que se dedicam a estudar e a oferecer soluções envolvendo a estabilidade de encostas, obras de contenção, fundações, barragens.

Diante da repetição das tragédias geotécnicas, a ABMS e a ABGE (*), entidades técnicas e científicas mais ligadas ao tema, apresentaram à opinião pública, no dia 16 de abril, a “Carta Aberta às Autoridades”. Nela, as duas entidades propuseram, na sede do Instituto de Engenharia, em São Paulo, cinco medidas concretas para reduzir substancialmente os efeitos e consequências das enchentes e deslizamentos, que produzem anualmente centenas de mortos e milhares de desabrigados.

A primeira medida é a “elaboração de cartas geotécnicas e cartas de risco”, a começar das áreas e regiões mais sujeitas a escorregamentos. A “Carta” propõe, como segunda iniciativa, o “monitoramento das áreas de risco” – atividade fundamental para reduzir o número de vítimas. É preciso também promover a “remoção de moradias instáveis” situadas em áreas de risco. A quarta sugestão é a capacitação de técnicos que atuam nas prefeituras e nos estados para entender o fenômeno e agir com conhecimento de causa. ABMS e ABGE propõem, por fim, o treinamento das comunidades que moram nas áreas de risco.

A “Carta” propõe medidas objetivas, exequíveis, de custo muito inferior ao da remediação de tragédias. Numa frase, a Carta sugere que é preciso conhecer a realidade, monitorá-la, agir sobre as áreas, treinar técnicos das prefeituras e informar a população. Não pretendem as duas entidades esgotar o assunto. Trata-se, na verdade, do início de um programa mais amplo de planejamento urbano. Mas pode ser um começo promissor.

Bons resultados apareceram onde programas semelhantes foram implantados, como nas encostas de Santos e Cubatão, na região metropolitana do Recife ou mesmo na cidade do Rio de Janeiro, através da GeoRio. Cabe agora estender tais iniciativas para as principais áreas de risco espalhadas pelo Brasil.

Jarbas Milititsky
Presidente da ABMS


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