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Metrô conclui em São Paulo uma das maiores obras de contenção de taludes já realizadas na capital

segunda-feira, 27 de agosto de 2018 comentários

O Pátio Guido Caloi, no extremo sul da capital, é parte importante da Linha 5-Lilás, do Metrô de São Paulo. Com 180 mil m² de área e capacidade para estacionamento de 26 trens, cada um com 136 metros, o pátio é também local para manutenção das composições e testes de portas de plataforma, entre outros, além de abrigar os prédios do almoxarifado e do setor administrativo. Em fase final de construção e instalação, o Pátio deve entrar em operação já em outubro próximo. A construção do Pátio Guido Caloi apresentou um desafio a mais para a equipe do Metrô. Foi necessário fazer a contenção de um talude de 63 metros de desnível e 850 metros de comprimento que já havia sofrido escorregamento.

O talude – Morro São Luiz – fica ao fundo do pátio. Acima dele encontra-se uma comunidade de mais de 10 mil habitantes e uma torre de transmissão com rede de alta tensão. Estudos preliminares mostraram fraturas e escorregamentos no talude. Assim, para a segurança de toda a comunidade do Jardim São Luiz e também do Pátio Guido Caloi, foi necessário o tratamento e a contenção do talude. Todo o projeto foi liderado por Danton Soares Junior, coordenador de projeto executivo Civil e Arquitetura da Linha 5-Lilás, com o apoio da área de Geotecnia do Metrô.

Ao iniciar a obra, a equipe de engenharia do Metrô encontrou algo que não havia sido previsto no projeto básico. “Eram camadas de lixo no interior do talude”, lembra o engenheiro Jelson Siqueira, chefe do Departamento de Obra Civil do Metrô que liderou toda a obra do Pátio. “Tivemos de aumentar a área de intervenção”. Além disso, foi encontrado uma tubulação de drenagem que jogava no talude a água e o esgoto que vinham da comunidade. “Isso encharcava a terra e aumentava o risco de escorregamentos”, complementa Siqueira.

O trabalho de contenção

Para a contenção do Morro São Luiz, foi utilizado solo grampeado nos primeiros 26 metros em relação à crista. “Esta era a região que já havia sofrido escorregamentos e precisava de uma solução mais segura, por isso optamos pelo grampeamento do solo”, explica o chefe da obra.

No restante do talude, foram feitas bermas, contidas por muros de arrimo apoiados em estaca raiz e em enfilagens de até 18 metros de profundidade dentro do maciço. As cabeças dessas enfilagens foram concretadas dentro do muro.

“Para alívio entre o muro e o talude, foram feitas camadas de drenagem, por trás do muro, com barbacãs, evitando a pressão hidrostática”, ressalta Siqueira. “Canaletas de captação na parte superior do muro, sobre a camada de drenagem, e no pé do muro, para captação da água dos barbacãs, também foram utilizadas. Esse sistema de drenagem conduz a água – tanto de chuva quanto de infiltração – até escadas hidráulicas que terminam em rede coletora no pé do talude”.

Toda a obra foi feita com instrumentação, de responsabilidade da Bureau de Projetos. O detalhamento final do projeto do talude foi realizado pela ZF & Engenheiros Associados. O projeto do pátio foi da Geodata e GBX Engenharia. A execução da obra coube ao Consórcio Via – Planova.

Entrega das estações da Linha 5-Lilás

A Linha 5-Lilás, do Metrô de São Paulo, conta hoje com cerca de 20 composições operando entre as estações Capão Redondo e Moema. Ainda em agosto, a estação AACD-Servidor será entregue à concessionária Via Mobilidade, responsável pela operação da Linha. “E em setembro entregaremos, também à concessionária, as estações Hospital São Paulo, Santa Cruz e Klabin”, afirma o engenheiro Luís Bastos Lemos, gerente de empreendimentos da Linha 5-Lilás.

Com isso, a Linha 5-Lilás fica completa, com cerca de 20 quilômetros de extensão, ligando o Capão Redondo ao Klabin.

 

Imagem: Metrô de São Paulo


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