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Milton Kanji (1938-2021): a geotecnia perde um de seus expoentes

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021 comentários

Faleceu no dia 12 de fevereiro o professor Milton Assis Kanji, aos 83 anos, em decorrência de complicações causadas pela Covid-19. Geólogo e especialista em geotecnia e mecânica das rochas, foi secretário da ABMS, presidente do Comitê Brasileiro de Mecânica das Rochas (CBMR) e vice-presidente para a América do Sul da ISRM, a Associação Internacional de Mecânica das Rochas e Engenharia Geotécnica. Kanji lecionou por mais de 30 anos na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e contribuiu diretamente para a formação de centenas de profissionais que atuam hoje na área geotécnica. Sua trajetória é lembrada pelos professores e amigos Luiz Guilherme de Mello e Georg Sadowski.

Com grande pesar perdemos para a Covid o nosso amigo e Professor Kanji, Milton Assis Kanji. Professor da Poli-USP que, no final dos anos 60, juntamente com o professor Victor de Mello, foi um dos fundadores da disciplina Geologia Aplicada à Engenharia Civil no curso de Geologia do Instituto de Geociências da USP. Desde sua formatura em Geologia na USP teve intensa participação profissional em assuntos vinculados à Geologia Aplicada e Geomecânica, tendo participado da coordenação dos primeiros ensaios de resistência em cisalhamento in situ no país aplicada a fundações de grandes barragens. Foi vice-presidente da International Society of Rock Mechanics ISRM e participante ativo de várias outras sociedades vinculadas a assuntos geomecânicos, incluindo as brasileiras ABMS e ABGE. Com relevante participação didática em cursos de Mecânica de Rochas, contribuiu em inúmeros comitês técnicos internacionais, proferiu importantes palestras em congressos internacionais e publicou e coordenou livro e vários trabalhos técnicos de referência.

Além de ser um ótimo professor, foi grande especialista no comportamento de rochas brandas e de debris flows. Com considerável talento musical, foi profundo conhecedor de música clássica e renascentista chegando, junto com seus irmãos, a organizar conjunto de música barroca e renascentista, o então reconhecido Musikantiga que chegou a gravar discos de sucesso. Esse legado musical reconhecido permanece na família expresso pelos seus filhos, particularmente junto à OSESP.

Leia também a homenagem de Faiçal Massad.


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