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Schnaid e Arsenio Negro falam sobre o Indian-Brazilian Webinar: "um sucesso"

18/06/2021

Schnaid, o que você achou desse evento, uma realização conjunta da ABMS com a sociedade indiana?

Fernando Schnaid, presidente da ABMS: “O evento foi um sucesso. Criamos um ambiente muito agradável de discussões técnicas entre os dois países, no qual passamos a ter informações qualificadas, do estado da arte, do estado da prática desses países, discutimos aspectos de natureza acadêmica, científica e tecnológica. Compartilhamos métodos de análise, técnicas executivas, então, foi um evento muito rico. Isso foi o ponto forte desse webinar.”

Arsenio, o que você achou do evento e como você enxerga aproximação da ABMS com os indianos?

Arsenio Negro Jr., ex-presidente da ABMS: “Precisamos ter consciência que a nossa associação está dando um passo adiante no seu desenvolvimento histórico e na sua participação no cenário internacional. Seja pelo que ela já acumulou nos últimos 70 anos ou pelo seu porte, pelo número de interessados e associados, sinto que a ABMS está dando um passo importante no seu papel dentro da comunidade internacional. E esse evento e essa tentativa que fizemos com a Índia foi extremamente auspiciosa.

É muito importante isso, porque é uma coisa de se ganhar confiança, de se ganhar apoio e de se conseguir levar adiante um papel que a gente pode desempenhar e que seja importante não só para nossa comunidade nacional brasileira interna, mas também externa.

Em termos do evento, em si, ele também foi muito interessante, eu fiquei surpreso. Porque, ao mesmo tempo em que nós temos as nossas semelhanças, também temos muitas diferenças e que às vezes comprometem um trabalho conjunto. Mas nós conseguimos superá-las, eles superaram as limitações deles e nós, as nossas, o que permitiu que houvesse uma aproximação maior entre as comunidades técnicas dos dois países.

No primeiro dia, foi muito interessante, porque foi apresentado o cenário do que tinha por trás de cada país. Foi um pouco frustrante para o pra nós, brasileiros, ver que o que o que temos não é tanto o passado, é muito futuro, tem muita coisa pra ser feita, o que é positivo, mas eles mostraram mais coisas já realizadas.  

Na parte da tarde, vimos um assunto muito importante sobre mineração e a lida com os rejeitos. No dia seguinte, vimos fundações, coisas que os dois países têm muita experiência e uma importância muito grande no cenário internacional. À tarde, tivemos assuntos de melhoria das propriedades dos solos, uma coisa muito atual, muito moderna. Ainda com as contribuições importantes que tanto Índia e, principalmente, o Brasil. trouxeram para esse tema.

No terceiro dia, na parte da manhã, focamos em engenharia de rochas. Nesse aspecto, com um contraponto bem distinto, uma visão macro feita pelo colega indiano, e uma visão muito mais de detalhe apresentada pelo Tarcísio Barreto Celestino, o que gera um contraponto superinteressante.

No final do evento, discutimos assuntos geoambientais, numa apresentação muito feliz do Singh, em que ele fez um resumo do paralelo entre os dois países. Ele chamou os Brasil e Índia de irmãos gêmeos, há muito tempo perdidos. Muito oportuno e apontando a necessidade de se fazer ações que sejam sustentáveis.

Esse foi exatamente o tema do Ênio Palmeira, apresentando a importância dos geossintéticos na solução de problemas tradicionais, mas que tenham impactos positivos ao meio ambiente e à sociedade.”

Schnaid, para encerrar esses três dias de evento, o que você diz para a comunidade brasileira de geotecnia?

Schnaid: “Quando temos uma experiência como essa, nós olhamos o outro país criticamente, mas isso nos ajuda entender o nosso próprio país. E isto é que eu acho que é tão meritório. Olhamos a Índia e entendemos que temos desafios comuns. Que são os grandes desafios na área de infraestrutura. Nós precisamos desenvolver portos, aeroportos, sistemas, modais, armazenamento de água, dar sustentabilidade ao país, buscar o crescimento econômico, a melhoria de qualidade de vida. Tudo isso a engenharia geotécnica tem a oferecer. Mas nós também temos diferenças com relação à Índia. E essas diferenças foram perceptíveis. Eles estão em larga escala à nossa frente.

Vimos, por exemplo, que eles contam com sistema ferroviário muito mais extenso que o nosso. Eles, nesse momento, estão construindo 411 barragens. Estão realmente fazendo um investimento em infraestrutura que nós não conseguimos fazer.

Para que pudéssemos fazer esse investimento na escala necessária, precisaríamos de estabilidade política, de equilíbrio fiscal, de segurança jurídica e essas são questões que tem que estar na nossa agenda.

Por outro lado, o que ficou claro nesse evento é que nós temos recursos humanos qualificados para poder produzir essa agenda. E isso é fundamental. É uma experiência fascinante, nos ajuda a compreender a Índia, assim como nos ajuda a compreender a nós mesmos – o que é uma função da ABMS. Temos o compromisso de continuar fazendo eventos acadêmicos e profissionais que possam servir como formação continuada à comunidade geotécnica.”

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