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Participação brasileira é recorde

quarta-feira, 12 de maio de 2010 comentários

O Congresso da ITA contou este ano com a mais expressiva participação de brasileira já registrada na história do evento. Uma delegação de 14 engenheiros geotécnicos do país participou em Budapeste, Hungria, do 35º Congresso da Associação Internacional de Túneis e do Espaço Subterrâneo (ITA-AITES), que aconteceu entre os dias 23 e 28 de maio deste ano. Seis trabalhos foram apresentados oralmente e outros 13, expostos em pôsteres espalhados pelo espaço do evento.

“A participação dos brasileiros, focada em temas do próprio país, mostraram que a engenharia brasileira é avançada e merece posição de destaque”, acredita Hugo Rocha, vice-presidente do Comitê Brasileiro de Túneis da ABMS. Na foto, abertura do 35ºCongresso da Associação Internacional de Túneis e do Espaço Subterrâneo (ITA-AITES), em 23 de maio de 2009.

Durante o Congresso, que reuniu mil participantes, o Brasil mostrou que está em sintonia com os principais temas hoje em debate no mundo. Segundo Rocha, o acidente na estação Pinheiros do Metrô de São Paulo relacionou o nome do país a uma situação de crise. O Congresso da ITA permitiu aos brasileiros mostrar a qualidade e a competência da engenharia tuneleira do país, através de apresentações de temas e cases por Tarcísio Celestino, Akira Koshima, Werner Beilfinger, André Scabbia e Pedro França, entre outros. Na foto, Hugo Rocha está à direita de um dos mais renomados engenheiros de túneis do mundo, o austríaco Johan Golser.

Temas como a tecnologia envolvida no projeto da Estação Alto do Ipiranga do Metrô de São Paulo, apresentado por Hugo Rocha, deram aos participantes a ideia de que o Brasil está claramente capacitado frente aos desafios geotécnicos. “A polêmica gerada pelo acidente na Estação Pinheiros aconteceu, como era previsto”, afirmou Rocha. “A diferença em relação ao Congresso anterior é que ao invés de somente assistirmos à apresentação de um colapso em uma construção brasileira, contamos com 14 participantes para apresentar avanços da engenharia tuneleira do país”.

A comparação entre a participação brasileira no Congresso da ITA deste ano e a edição de 2008 foi frequente entre os participantes. Tarcísio Celestino (foto), presidente do CBT, destacou que os pontos positivos da geotecnia brasileira, apresentadosem maio, serviram como contraposição ao desastre de Pinheiros, único assunto referente ao Brasil que foi tratado no último Congresso da ITA realizado na Índia, em 2008. “A participação deste ano foi essencial para tirar o gosto ruim deixado pelo evento indiano”, sustentou o presidente.

Como presidente do CBT, Tarcísio participou das assembléias do evento como delegado brasileiro. Durante o encontro, apresentou palestra sobre poços de concreto projetado para uso em túneis urbanos – um dos temas que exemplificou o avanço da engenharia tuneleira do Brasil. Ao contrário de alguns países europeus, o Brasil utiliza, há mais de vinte anos, concreto projetado em formato circular para escorar os poços, ao invés de estruturas metálicas que, segundo Tarcísio, atravancam a estrutura que deveria ficar livre para possibilitar o fluxo. “O Brasil utiliza essa tecnologia há duas décadas e está à frente, inclusive, de alguns países europeus”, afirmou o presidente. “Utilizamos a melhor opção que, além de agredir menos o meio ambiente, promove uma menor perturbação na área periférica do túnel”.

Werner Bilfinger tratou também dos poços de acesso, com enfoque para as obras da Linha 4 do Metrô de São Paulo. A troca de valas convencionais pela opção de poços elípticos adjacentes é vantajosa, segundo o palestrante, e contribuiu para fortalecer a ideia do avanço brasileiro. “A escolha mostra que conseguimos construir sem derrubar e causar maiores estragos”, afirma Bilfinger.

O engenheiro geotécnico Akira Koshima (foto) foi outro membro do CBT a participar do ciclo de apresentações brasileiras. Ao tratar da utilização de Jet Grounding em túneis para passagem de trens de alta velocidade, Akira reservou o quinto dia do encontro para apresentar outra tecnologia da qual a engenharia brasileira fará uso – em especial nas obras civis envolvendo trens de alta velocidade, os chamados trem-bala, e na preparação da infraestrutura nacional para Copa do Mundo de Futebol de 2014. “Pudemos perceber e mostrar que estamos em pé de igualdade”, aponta Akira. “Dispomos de experiências muito bem sucedidas e não apenas de situações ruins como foi o acidente na estação Pinheiros”.

Também durante o quinto dia do evento, Pedro França (à dir.), engenheiro geotécnicoassociado da ABMS, tratou do tema dimensionamento tridimensional de túneis. André Scabbia, autor do sexto trabalho aceito pela organização do Congresso, discorreu sobre o tema gestão de riscos.

A participação de brasileiros foi além de palestras e pôsteres no evento. Contou também com a organização de um curso pré-congresso liderado por André Assis. Presidente da ITA entre 2003 e 2005, Assis coordenou a organização do curso que foi ministrado para cerca de 100 participantes entre os dias 22 e 23 de maio. Com o tema que abordava riscos durante a construção de túneis urbanos, o curso contou com aulas do presidente do CBT, Tarcísio Celestino. “Foi um curso muito proveitoso”, acredita Akira koshima, que participou do curso como ouvinte. “É também muito positivo ver o envolvimento de brasileiros em algo dessa importância”.

Na foto acima a delegação brasileira no 35º Congresso da ITA.

O Comitê pretende repetir a dose no próximo Congresso da ITA, que acontecerá em Vancouver em 2010. “É muito importante que os membros inscrevam seus trabalhos no próximo Congresso para que possamos confirmar a força da geotecnia brasileira”, sugere Tarcísio Celestino.

Clique aqui para ter acesso ao site do WTC 2010.


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