Revista Téchne traz dia-a-dia do consultor de pavimentação

quinta-feira, 13 de maio de 2010 comentários

A revista Téchne, de abril de 2010, traz em sua sessão Carreira a descrição da rotina de um consultor de pavimentação cuja “dinâmica do trabalho requer muito conhecimento sobre materiais e técnicas construtivas, atualização constante e habilidade para interagir com equipes multidisplinares”. A matéria traz ainda entrevista com profissional da área descrevendo os pontos fortes e fracos da profissão.

Por Juliana Nakamura

Seja realizando projetos ou prestando consultoria, o profissional especializado em pavimentação tem à sua frente um mercado de trabalho bastante promissor. A retomada dos investimentos públicos e privados e a carência por infraestrutura de transportes fazem com que essa seja uma das áreas da engenharia com mais oportunidades de expansão nos próximos anos. Só que, como ocorre em outros setores, ter sucesso nesse ramo depende de dedicação e envolvimento. Primeiro, para adquirir os conhecimentos teóricos necessários, especialmente nas áreas de mecânica de solos, geotecnia, estruturas e materiais. Depois, pela necessidade de atualização constante para que o profissional possa conhecer as novas tecnologias e tomar as decisões corretas. Por fim, porque requer disposição para suportar um volume de trabalho intenso e viagens frequentes, na maior parte das vezes para lugares remotos.

“Há uma ideia equivocada de que fazer pavimentos é fácil, afinal, diferentemente de edifícios ou outras obras de arte, o piso não cai na cabeça de ninguém”, ressalta Ademir Teixeira dos Santos, diretor-adjunto da Anapre (Associação Nacional de Pisos e Revestimentos de Alto Desempenho) “Mas projetar e executar pisos não são tarefas fáceis. A responsabilidade é grande e pode incluir, no caso de pavimentos de rodovias, por exemplo, ameaça à vida das pessoas”, pondera.

Santos explica que, assim como um médico, o trabalho de um consultor de pavimentação tem início com o levantamento de informações sobre o tipo de uso e o tráfego a que a superfície será submetida. A partir disso, o profissional pode identificar a solução técnica de construção mais apropriada e também a que apresenta a melhor relação custo-benefício.

Interação e dinamismo

Para quem trabalha com pavimentos – sejam rodoviários, urbanos ou industriais – múltiplas possibilidades de aprendizado podem advir da troca de experiências mantida com profissionais de outras áreas. “A pavimentação está atrelada a disciplinas de geotecnia, solos, drenagem, materiais, processos, controles, além de engenharia de tráfego e segurança rodoviária. Daí a importância de a interação com demais engenheiros e projetistas ser total”, afirma o diretor técnico da Monobeton, Paulo Bina. O engenheiro ressalta que a consultoria para a engenharia não envolve somente o conhecimento de uma disciplina, mas a perfeita interação entre várias áreas. “Envolve também limitar seus campos de atuação às suas habilidades e capacidades, e saber passar o bastão para os colegas, sem vaidades ou rancores”, acredita Bina.

Em compensação à carga-horária muitas vezes pesada, o consultor de pavimentação tem uma rotina bastante dinâmica. “Trabalho em vários projetos simultaneamente, o que demanda visitas às obras, organização da agenda para conciliar as reuniões com os clientes e, principalmente, disciplina para organizar o avanço dos projetos para que todos os prazos sejam atendidos”, revela a engenheira Andréa Severi, sócia-diretora da Ecoworld Consultoria e Administração. Ela conta que, de olho no aumento da demanda de projetos de pavimentação e na falta de profissionais especializados, criou em 2007 a sua própria consultoria de pavimentação, que registra faturamento médio de R$ 250 mil/ano.

Para quem pretende ingressar nessa área, o primeiro passo é buscar uma oportunidade de estágio em empresas de projeto ou de execução na área de pavimentação. “Não é imprescindível ter uma formação em engenharia civil para seguir essa carreira. A formação pode ser tanto como técnico (nível médio) como tecnólogo (nível superior completo)”, explica o presidente na Anapre, ressaltando que um bom técnico em edificações, com as habilidades requeridas e muita vontade de crescer pode ser um ótimo consultor em pavimentação.

Mas, independente da formação, algumas habilidades são imprescindíveis. Uma delas é o interesse em se manter informado e atualizado sobre novas técnicas e materiais. Severi destaca, ainda, o profundo conhecimento técnico, o senso crítico para avaliar qualidade, a visão sistêmica e a capacidade de reconhecer, definir e solucionar problemas. Capacidade para gerenciar conflitos, organização e consciência ambiental são outras características bastante úteis no dia a dia de um consultor de pavimentos.

Personagem

Marcos R. Ceccato, diretor da Trima Engenharia

Foto: Revista Téchne/Editora Pini

Como foi o início de sua carreira?

Quando concluí a graduação há 15 anos, fiz o mestrado na área de tecnologia de materiais, tendo trabalhado num grupo de pesquisa voltado ao desenvolvimento de concretos reforçados com fibras, que têm grande aplicação em pavimentos e em revestimentos de túneis. Depois prestei serviços de consultoria a uma das empresas que patrocinavam as pesquisas, onde tive a oportunidade de trabalhar em conjunto com meu atual sócio. Diante da demanda de projetos e consultoria em pavimentos em todo o Brasil, criamos a nossa própria empresa em 2001.

Como é o seu dia a dia?

Não há rotina no trabalho, o que me agrada bastante. Divido o tempo entre visitas a clientes e a obras para levantamento das características da obra, cálculo e desenvolvimento dos projetos, além de acompanhamento da execução das obras.

Quantas horas, em média, você trabalha por dia?

A jornada de trabalho depende se o trabalho está sendo realizado no escritório (desenvolvimento de projetos, laudos ou análises de viabilidade) ou em campo, acompanhando as obras. Mas, em média, trabalho 12 horas por dia.

O que você faz para se manter atualizado?

Leio artigos de periódicos internacionais e acompanho a produção acadêmica das principais universidades brasileiras, que anualmente publicam importantes estudos relacionados à pavimentação. Quando possível participo de congressos e feiras, o que, além de possibilitar o contato com novas tecnologias, permite a troca de experiência com profissionais de outros países.

Do que você mais gosta em sua profissão?

Da possibilidade de colocar em prática todos os dias o que aprendi em tantos anos de estudo e verificar que, ao longo do tempo, com um trabalho honesto e bem-feito, podemos influenciar o mercado positivamente, tanto no que diz respeito à melhoria da qualidade das obras, como no comportamento ético dos profissionais.

 Currículo

Oportunidades: em obras de menor porte, o consultor é contratado diretamente pelo cliente. Em obras maiores, quem contrata é a construtora ou a gerenciadora técnica. É comum encontrar no mercado a figura híbrida consultor/projetista

Atribuições: especificação de materiais, procedimentos e controles para realização de serviços de pavimentação; análise estrutural de pavimentos; dimensionamento de estruturas de pavimentos novos; análise de projetos de pavimentação; avaliação de patologias e recuperação de pavimentos existentes; acompanhamento da obra durante a execução; gerência de pavimentos

Habilidade e aptidões: o consultor de pavimentação deve ter conhecimentos consistentes nas áreas de cálculo estrutural, tecnologia e ciência dos materiais, mecânica dos solos e geotecnia. Também deve ter experiência em campo, bem como capacidade de trabalhar em equipes multidisciplinares. Ter disponibilidade para viajar e se manter em constante atualização também são importantes

Remuneração: no início de carreira, entre R$ 2,5 mil e R$ 5 mil, podendo chegar de R$ 15 mil a R$ 20 mil no caso de profissionais mais experientes

 


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