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Segurança em escavações subterrâneas foi tema do segundo dia do WebGeo

quinta-feira, 17 de setembro de 2020 comentários

A programação do WebGeo elencou para o segundo dia do evento dois temas para apresentação e debate.

A Sessão Técnica 2 foi dedicada à “Investigação geotécnica”. Mais tarde, já na noite do dia 16/9, especialistas em obras subterrâneas abordaram o tema “Segurança em escavações subterrâneas”.

O tema foi discutido durante a Sessão Técnica 3, presidida por Lineu Azuaga Ayres, presidente do Comitê Brasileiro de Mecânica das Rochas (CBMR), e mediada por Jairo Pascoal Júnior, presidente do Comitê Brasileiro de Túneis (CBT). Mais de 250 participantes acompanharam remotamente as discussões.

Os presidentes dos Comitês da ABMS deram as boas-vindas aos palestrantes da noite: os engenheiros André Assis, Felipe Gobbi e Alaor Coelho Jr. Assis, que também presidiu a ABMS, o CBT e a Associação Internacional de Túneis e do Espaço Subterrâneo (ITA), abriu a Sessão Técnica com a palestra “Gestão de riscos em escavações subterrâneas em meios rochosos”.

Obras subterrâneas

Assis abordou o conflito entre o que a engenharia civil oferece e o que a sociedade espera em termos de segurança. Ele acredita que a sociedade tem uma visão deturpada das obras de engenharia ao considerá-las infalíveis. Esta, no entanto, não é a realidade, já que toda obra de engenharia é acompanhada de incertezas. A área de Gestão de Riscos existe justamente para prever e evitar possíveis falhas e suas consequências através de estudos técnicos detalhados.

Assis passou, em seguida, a comparar duas abordagens comuns na Gestão de Riscos: a abordagem probabilística e a determinística. Apresentou suas principais características, as vantagens e desvantagens de cada uma. Falou ainda sobre como calcular a probabilidade de falha na abordagem probabilística utilizando técnicas consideradas simples e complexas.

A respeito dos métodos probabilísticos mais aplicados nesta primeira abordagem, o engenheiro apresentou o Método Monte Carlo, o Método de Aproximação de Primeira Ordem da Variância (FOSM) e o Método de Pontos de Estimativa, comentando também sobre as vantagens e desvantagens de cada um.

Focando na área das obras subterrâneas, Assis passou a abordar os tópicos a serem considerados na identificação de eventos de risco no ambiente da indústria tuneleira e os principais tipos de riscos encontrados em obras subterrâneas.

Ele apresentou gráficos de um estudo realizado por um de seus alunos. O trabalho apontou que os erros de projeto e de construção são as principais origens dos acidentes envolvendo obras subterrâneas. Assis abordou também a avaliação de riscos segundo o método construtivo adotado para as obras túneis.

Para encerrar a apresentação, André Assis ressaltou a importância das diretrizes de gestão de riscos em obras subterrâneas existentes. Citou as Guidelines for tunnelling risk management, publicadas em 2004 pela ITA, e o Code of Practice for Risk Management of Tunnel Works, publicado em 2006 pela International Tunnel Insurance Group.

Casos de obra

Teve início em seguida a apresentação de temas trazidos pelas associadas coletivas da ABMS. O engenheiro Felipe Gobbi, responsável técnico pelo Brasil da Geobrugg e secretário executivo do CBT, abordou o tema “Desafios de Tratamentos em Escavações Sujeitas a Rockbursts”. Gobbi falou sobre um acidente ocorrido nas obras do Complexo Hidroelétrico de Alto Maipo, no Chile.

Durante a escavação de um dos três túneis do Complexo, ocorreu o fenômeno rockburst – que consiste na liberação de energia repentina do maciço, resultando em explosões extremamente perigosas e de pouca previsibilidade.

O vídeo que capturou o momento do rockburst foi exibido durante a apresentação, causando grande impressão no público que a acompanhava. Gobbi avançou, abordando a prevenção desse tipo de acontecimento e relatando como a Geobrugg pôde contribuir com os produtos e soluções para evitar acidentes.

Já a Incotep, empresa do Grupo Açotubo, foi representada pelo engenheiro Alaor Coelho Jr., que tratou dos “Tratamentos de Maciço e Estabilidade de Escavação em Túneis”. Ele falou sobre a aplicação de enfilagens tubulares nas obras de túneis construídas pelo método NATM e apresentou os diferentes tipos de enfilagens tubulares que podem ser utilizados de acordo com cada projeto. Abordou também casos de obra e noções técnico-operacionais da instalação dos equipamentos.


Debate

O debate que se seguiu foi repleto de comentários dos participantes sobre os temas expostos durante o encontro. Um dos principais pontos levantados foi a monetização pela perda de vidas em acidentes envolvendo obras de engenharia, assunto que fez parte do tema gestão de riscos apresentado por André Assis.

Os representantes das empresas parceiras da ABMS também comentaram este e outros assuntos técnicos. As discussões, muito ricas, revelaram que o WebGeo neste segundo dia mobilizou a atenção do público e dos associados individuais e coletivos da ABMS.

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