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Seminário ITACET reúne 120 tuneleiros em São Paulo

quarta-feira, 27 de novembro de 2013 comentários

Pela segunda vez em 2013, o Comitê Brasileiro de Túneis trouxe ao Brasil um curso da ITACET – Fundação para Educação e Treinamento da ITA (International Tunnelling and Underground Space Association). O tema desta vez foi Túneis Imersos. O seminário aconteceu nos dias 8 e 9 de novembro, em São Paulo, e reuniu 120 profissionais e estudantes da comunidade tuneleira. Durante a abertura do evento, André Assis, presidente da ABMS e ex-presidente da Fundação ITACET (entidade da qual participou também da criação), parabenizou o Comitê Brasileiro de Túneis pela iniciativa e por estar cumprindo bem o seu papel de disseminar o conhecimento técnico. O curso foi coordenado por Francisco Ribeiro, secretário geral do CBT.

Para Michael Tonnesen (foto à direita), gerente-chefe de projeto da Cowi A/S, “um dos maiores desafios na hora de optar pelo túnel imerso é convencer as autoridades de que esta é a melhor opção”. Mesmo assim, o mercado de túneis imersos vem crescendo gradativamente ao redor do mundo,principalmente na Ásia. “Aparentemente há um maior conhecimento sobre este método construtivo e as pessoas estão considerando mais a sua utilização”, explica Jonathan Baber, de projeto da Mott MacDonald Ltd.

O custo é uma das dúvidas de profissionais e autoridades quando o assunto é túnel imerso. Hans De Wit, diretor da Tunnel Engineering Consultants (TEC), afirma que é necessário sempre considerar todas as alternativas, mas “o túnel imerso tem a seu favor o fato de que a maioria do trabalho pode ser realizado pela indústria local”. De acordo com o especialista, “mesmo que o país não tenha a tecnologia, ele pode contratar empresas estrangeiras para fazer os dois ou três primeiros projetos. Depois disso, a indústria tuneleira local certamente vai desenvolver a tecnologia necessária”.

Todos os palestrantes convidados pela ITACET ficaram entusiasmados com o número de participantes do seminário no Brasil. “Ficamos contentes com a interação da plateia”, diz Jonathan Baber, um dos palestrantes convidados pela ITACET. “O nível das perguntas foi muito bom e mostrou o interesse do público brasileiro no assunto”.

Os participantes, por sua vez, saíram bastante satisfeitos com o que ouviram. “O seminário foi esclarecedor para entender como se faz um projeto como esse e mostrar que os cuidados executivos são os detalhes mais importantes”, conta Hugo Cássio Rocha, presidente do CBT. José Olímpio Dias de Faria, vice-presidente do Instituto de Engenharia, estuda túneis imersos desde a década de 1980 e disse que o seminário “veio para coroar o estudo de anos, trazendo quatro consultores com ampla experiência mundial no assunto. Estão todos de parabéns pelo evento”.

O Seminário

O seminário foi aberto com as boas vindas de Hugo Cássio Rocha(foto à esquerda) presidente do CBT. Logo após, foi a vez de André Assis (foto à direita) apresentar a ITACET, Fundação que ajudou a criar e que presidiu durante seis anos. Em seguida, Tarcísio Celestino, ex-presidente do CBT e vice-presidente da ITA, falou sobre o túnel imerso Santos-Guarujá e a importância de trazer esta tecnologia, já bastante utilizada em outros países, para o Brasil. A abertura foi concluída com uma apresentação de Estanislau Marcka, assessor da presidência da Dersa – Desenvolvimento Rodoviário S/A.

Marcka (foto à esquerda) apresentou o projeto que fará a ligação entre as cidades de Santos e Guarujá, no litoral paulista. Diversas vantagens do túnel imerso foramapontadas como fatores decisivos para a escolha do método construtivo (havia a dúvida entre túnel imerso e ponte). Para saber todos os detalhes, acesse aqui a apresentação.

Tarcísio Celestino (foto à direita) fez ainda uma apresentação mostrando as possibilidades detúneis imersos no Brasil, como Vitória-Vila Velha, no Espírito Santo, Rio Grande-São José do Norte, no Rio Grande do Sul, Salvador-Ilha de Itaparica, na Bahia, entre outros. Além disso, Celestino abordou as características do Brasil e as condições para a construção de túneis imersos. Veja mais detalhes da apresentação.

O curso começou com Jonathan Baber, diretor de projeto da Mott MacDonald Ltd, no Reino Unido, dando um panorama geral dos túneis imersos no mundo. Baber é coordenador do Working Group 11: Immersed and Floating Tunnels, da ITA. Neste módulo o palestrante definiu túnel imerso, mostrou aos presentes os diversos tipos de túneis imersos e as vantagens deste método construtivo, entre outros tópicos.

Na sequência, Michael Tonnesen, gerente-chefe de projeto da Cowi A/S, ministrou palestra sobre a perspectiva do proprietário de uma obra de túnel imerso. Ele falou sobre a organização – o que é responsabilidade do proprietário, as fases típicas de um projeto, os níveis de projeto e os detalhes de cada fase do projeto para ter informação suficiente para prever riscos, planejar a construção e seus custos, as formas e a gestão de contratos e o bom diálogo com as diversas autoridades, comunidades e empresas envolvidas ou afetadas pelo projeto.

Os tipos de túneis imersos foi o primeiro tema abordado pelo consultor Christian Ingerslev, que descreveu as diferentes formas estruturais utilizadas em túneis imersos. O palestrante mostrou ainda os benefícios de cada uma para as diferentes circunstâncias.

Hans De Wit (foto à esquerda), diretor da Tunnel Engineering Consultants (TEC), foi o responsável por explicar quais as exigências de espaço – incluindo utilitários, drenagem, ventilação, sinais de tráfego de informações e proteção contra incêndio. A palestra contou também com dicas sobre projetos e métodos que foram desenvolvidos especialmente para otimizar o projeto da seção transversal de túneis imersos.

Após uma pausa para o almoço, Michael Tonnesen reabriu o seminário com a palestra “Dimensionando e projetando a estrutura”, na qual abordou as restrições típicas para o desenvolvimento de alinhamentos verticais e horizontais.

Jonathan Baber (foto à direita) voltou ao palco para falar sobre análises e projeto estrutural para túneis imersos. A palestra apresentou princípios gerais do projeto deste tipo de túnel, começando pelo projeto da seção transversal e tendo como objetivo atingir as características de flutuação necessárias na fase de construção e as exigências de estabilidade na condição permanente. Além disso, carregamentos particulares que devem ser considerados também foram explanados tanto para a condição temporária quanto para o túnel final.

Hans De Wit foi o responsável pela última palestra do dia. Ele falou sobre as questões geotécnicas, ilhas e melhorias do solo. Os princípios da construção por etapas do túnel imerso foram discutidos juntamente com a interação estrutural e geotécnica, condições de apoio, investigações de solo e estabelecimento de comportamentos.

O primeiro dia de curso foi encerrado com uma mesarredonda onde os participantes puderam interagir com os palestrantes e trocar informações.

O sábado começou com a palestra de Jonathan Baber abordando a sequência construtiva de túneis de concreto e os detalhes exigidos para as juntas entre os elementos do túnel. O tema tornou-se importante devido à grande utilização deste método construtivo nos túneis imersos construídos nos últimos anos na Europa e nas Américas.

Em seguida, Hans De Wit falou sobre o lançamento dos elementos do túnel para flutuação e imersão, o transporte desses elementos, adaptação dos elementos para a imersão e as diversas etapas da operação de imersão.

A terceira palestra do dia foi de Chirstian Ingerslev (foto à esquerda). Ele abordou a remoção e a substituição de materiais no ambiente subaquático. Os equipamentos utilizados, a minimização do impacto ambiental, o tempo de conexão com a superfície e as opções disponíveis foram alguns dos tópicos discutidos.

Na última seção antes do almoço, Michael Tonnesen mostrou aos participantes o mais profundo túnel imerso de concreto. As principais características do projeto de fundação inovador em relação ao projeto estrutural e à fabricação dos elementos do túnel para prevenir o risco de entrada de água foram tópicos discutidos na palestra.

Na mesma seção, Hans De Wit apresentou o túnel da cidade mexicana de Coatzacoalos, que está sendo construído para ligar as cidades de Coatzacoalcos e Allende e será um dos primeiros túneis imersos da América do Sul, com o comprimento de aproximadamente 1,5 quilômetros.

O terceiro caso foi apresentado por Christian Ingerslev. Ele abordou o Second Midtown Tunnel, na Virgínia. O palestrante mostrou desde os primeiros conceitos de projeto até o atual projeto de construção.

No retorno do almoço, os participantes assistiram à palestra de Hans De Wit sobre os complementos do interior do túnel. Após a imersão dos elementos do túnel, ainda há muito a se fazer em seu interior. Na palestra, Hans De Wit mostrou as diversas atividades envolvidas na complementação do interior do túnel, incluindo as condições associadas e as questões de segurança.

Michael Tonnesen foi o próximo, tratando das principais operações envolvendo riscos à saúde e segurança durante a construção. Ele mostrou as melhores práticas para lidar com esses riscos.

A última palestra do Seminário foi de Christian Ingerslev. Ele falou sobre operação e manutenção de túneis imersos. O Seminário sobre Túneis Imersos foi encerrado com uma mesarredonda e as considerações finais de Jonathan Baber.

CBT – 23 anos de túneis

Em novembro de 2013, o Comitê Brasileiro de Túneis completa 23 anos de história. Para comemorar esta data especial, André Assis, presidente da ABMS e ex-presidente do CBT, abriu o almoço do dia 9 de novembro com um discurso que lembrou o aniversário do Comitê e todos os seus ex-presidentes: Sérgio Fontoura, 1990 – 1994, Argimiro Alvarez Ferreira, 1994 – 1998, André Assis, 1998 – 2002, Akira Koshima, 2002 – 2006, Tarcísio Barreto Celestino, 2006 – 2010, e Hugo Cássio Rocha, 2010 – 2014. A festa contou ainda com bolo de aniversário e parabéns cantado por todos os participantes do Seminário de Túneis Imersos.

 


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