Seminário sobre Acidente no Porto de Santana atrai mais de 200 participantes no RJ e AP

sábado, 10 de junho de 2017 comentários

acidenteportodesantana-internaO Seminário O Acidente no Porto de Santana (AP), promovido pelo curso de pós-graduação em engenharia civil da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) com apoio da ABMS e da Agência Nacional de Engenharia (ANE), foi realizado em duas edições. Na cidade do Rio de Janeiro, o evento aconteceu no dia 19 de maio, no auditório da PUC, atraindo cerca de 100 pessoas. Em Macapá (AP), o evento fez parte da programação da 2ª Semana de Engenharia Civil da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), e reuniu cerca de 130 pessoas. “As palestras foram verdadeiras aulas com alguns dos maiores nomes da geotecnia do Brasil e os participantes puderam acompanhar o altíssimo nível de qualidade que temos em nossa geotecnia”, afirma o engenheiro Luis Henrique Rambo, secretário geral do Núcleo Norte da ABMS.

Rambo, que também é professor na UNIFAP, considera que os temas discutidos no seminário abrem novas discussões sobre os estudos empregados na região. “A vinda desses grandes nomes para um debate aberto fortalece a especialidade e deve resultar no aumento do interesse de alunos para a área da engenharia geotécnica na UNIFAP”, declara.

Já a engenheira civil Cristina Baddini Lucas, também professora na UNIFAP, chamou atenção para a polêmica que envolveu o tema debatido na II Semana de Engenharia da Universidade. “Causou polêmica em Macapá o fato de a II Semana da Engenharia Civil da UNIFAP, realizada nos dias 05 a 09 de junho com o tema ‘Engenharia x Crise’ ter trazido à tona os estudos de seis professores doutores de renomadas Universidades brasileiras”, contou a engenheira. “Não pretendemos nesse evento examinar os diversos argumentos do colapso do Porto de Santana. Limitamo-nos a defender a legitimidade dos estudos, ensaios e referências científicas dos que ampliaram a nossa perspectiva do solo local com as suas reflexões”.

O Acidente no Porto de Santana

O acidente ocorrido em 28 de março de 2013 no terminal portuário de minério de ferro de Santana, no Amapá, ocasionou no deslizamento do solo na margem do Rio Amazonas que deslocou cerca de meio milhão de metros cúbicos de solo, causando seis mortes e a paralisação total das atividades do porto.

Nas duas edições do evento, os estudos e conclusões dos engenheiros geotécnicos do Brasil e do exterior foram expostos à comunidade acadêmica, profissional e à sociedade local.

“No evento, após um breve histórico das ocorrências, os palestrantes mostraram detalhes da operação do porto e das investigações geotécnicas de campo e laboratório, além de terem explicado a cinemática da ruptura, esclarecendo que uma eventual pilha de minério estocado não foi o gatilho para o desmoronamento ocorrido no dia do acidente”, comenta Rambo. “Foi opinião unânime de todos os 11 consultores nacionais e internacionais de que o solo no local do porto apresenta estrutura metaestável, com características bem diferentes dos solos costeiros do Brasil, e, portanto, a ruptura não poderia ter sido prevista com antecipação”.

Para a estudante de engenharia civil da UNIFAP, Louise Alves Bezerra, as palestras sobre os estudos técnicos no Porto de Santana foram muito instrutivas. “Foi bem interessante ver os resultados sobre um possível novo tipo de solo a ser estudado na nossa região, algo que abre possibilidades de pesquisas para os acadêmicos e profissionais da área que atuam aqui no Estado do Amapá”.

Já para o estudante André Luis da Costa Silva, “o seminário foi uma oportunidade única para os alunos e profissionais do Amapá participarem de um debate de alto nível técnico e terem conhecimento detalhado sobre o solo do Porto de Santana”, declara. “Esse tipo de oportunidade motiva a pesquisa e o desenvolvimento na área geotécnica, que é carente na nossa região”.

Palestras

Os engenheiros Rodrigo de Lima Rodrigues e Thaís Fornazelli, mestrandos do Centro de Estudos Avançados em Segurança de Barragens – PTI da PUC-Rio, produziram um relato completo da edição do evento realizada no dia 19 de maio. Confira a íntegra:

“As palestras foram ministradas por consultores contratados da Anglo American, empresa que operava o porto, que apresentaram aspectos técnicos do acidente com base nos estudos desenvolvidos pela equipe. Fazem parte desse grupo os professores Sandro Sandroni e Alberto Sayão (PUC-Rio – ex-presidente da ABMS), Fernando Marinho (EPUSP), Fernando Schnaid (UFRGS), Luiz Guilherme Mello (EPUSP), e Willy Lacerda (COPPE-UFRJ – ex-presidente da ABMS).

“A abertura do evento foi realizada por Sayão, que convidou para compor a mesa o engenheiro Francis Bogossian, presidente da Academia Nacional de Engenharia (ANE), que elogiou o evento e incentivou a iniciativa de promover o debate público sobre as lições de um acidente de engenharia.

“Em seguida, o professor Sandro Sandroni deu início à série de palestras. Sandroni apresentou a localização e o histórico da obra, a descrição do acidente e um resumo dos estudos dos consultores. Tal apresentação possibilitou que o público, de maneira geral, conhecesse o local, entendesse o que ocorreu no acidente e compreendesse as principais causas apontadas nos respectivos estudos.

“O professor Luiz Guilherme, por sua vez, apresentou o layout e a logística para operação do porto, incluindo informações como: locais de estocagem, capacidade de embarque/desembarque e fluxo de carga, que foram estudados para encontrar a possível causa de ruptura.

“A cinemática do movimento do solo foi explicada pelo professor Willy Lacerda, que mostrou a sequência e o tipo de movimento no acidente. Para chegar a essas conclusões, foram analisadas imagens de uma câmera de segurança que mostrou uma rápida movimentação das estruturas no momento da ruptura. Além das imagens, foi mostrada uma comparação dos levantamentos batimétricos realizados antes e depois do acidente.

“Os professores Fernando Schnaid e Fernando Marinho, apresentaram as investigações geotécnicas realizadas antes e após o acidente. Schnaid focou sua apresentação nos ensaios de piezocone no campo, evidenciando o valor de Bq > 1 obtido nos perfis de CPTu (valor não usual para a costa brasileira), e a elevada sensitividade obtida em certas profundidades por meio de ensaios de palheta. O palestrante mencionou o comportamento metaestável do solo do Porto de Santana.

“Este comportamento foi também citado na apresentação de Fernando Marinho, que destacou os valores elevados de Índice de Liquidez (maiores que 1), e mostrou um comparativo do solo do Porto de Santana com a as propostas de Burland (1990). Marinho apresentou ainda os resultados de ensaios de microscopia e de ensaios triaxiais do tipo CIU.

“Por fim, o professor Luiz Guilherme apresentou as principais conclusões de experientes e renomados especialistas internacionais, também consultados pela Anglo American: Michele Jamiolkowski (Itália), James Mitchell, Serge Leroueil (Canadá), Kaare Hoeg (Noruega) e David Hight (Inglaterra).

“Finalizadas as apresentações, os palestrantes foram convidados a compor a mesa para a seção de debates, conduzida pelo professor Alberto Sayão, da PUC-Rio.   No total, cerca de 20 pessoas puderam comentar e tirar dúvidas com os palestrantes. A seguir, o prof. Fernando Schnaid fez uma breve conclusão, resumindo os principais pontos apresentados ao longo do seminário. ”

 

Confira abaixo as apresentações das palestras:

Histórico – Sandro Sandroni (PUC-Rio)
Layout e Operação do Porto – Luiz Guilherme Mello (EPUSP)
Cinemática da Ruptura – Willy Lacerda (COPPE-UFRJ)
Investigações de campo – Fernando Schnaid (UFRGS)
Investigações (Lab) – Fernando Marinho (EPUSP)
Parecer dos consultores internacionais – Luiz Guilerme Mello (EPUSP)

 

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