Sucesso absoluto de público marca 5º Debate Nacional sobre Segurança de Barragens de Rejeitos

quinta-feira, 01 de dezembro de 2016 comentários

5debatebarragensinternaApós um ano do acidente que aconteceu em Mariana (MG), com o rompimento da barragem de rejeitos de Fundão que resultou em uma das maiores tragédias socioambientais do país, engenheiros e especialistas do tema se reuniram, nos dias 3 e 4 de novembro, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) para o Debate Nacional sobre Segurança de Barragens de Rejeitos: Lições de Mariana – Um ano depois. “O resultado desse encontro foi um auditório superlotado nos dois dias de discussões que, por sua vez, duraram além do horário programado”, conta o engenheiro e ex-presidente da ABMS, Alberto Sayão. “Foram contabilizados cerca de 350 inscritos para o Debate, além dos 20 participantes que acompanharam a transmissão ao vivo pela internet no segundo dia de evento”.

Além da ABMS, as entidades que promoveram a realização do Debate foram o Comitê Brasileiro de Barragens (CBDB), a Academia Nacional de Engenharia (ANE) e o Clube de Engenharia, do Rio de Janeiro.

Sayão, que vem participando ativamente da organização de debates sobre segurança de barragens de rejeitos desde a tragédia em Mariana, conta que o tema é de grande interesse da comunidade geotécnica nacional e internacional. “Contando com as edições realizadas durante o COBRAMSEG 2016 em Belo Horizonte, no 8º Congresso Luso-Brasileiro em Portugal e uma edição organizada pelo CBDB, foram oito eventos sobre o tema realizados em um ano, todos com grande participação do público”, diz.

O evento

“Diferentemente do que vem sido realizado até então, o último Debate foi divido em sessões de dois dias, se transformando em um evento bem mais denso do que os anteriores”, comenta o engenheiro Flavio Miguez de Mello, presidente honorário do CBDB e membro titular da ANE.

“O primeiro dia foi iniciado com uma importante palestra do Reitor da PUC-Rio, Pe. Josafá Siqueira, sobre as lições aprendidas com o desastre de Mariana sob o ponto de vista ético e ambiental, seguindo-se uma interessante palestra sobre Gestão de Riscos, proferida pelo professor André Assis – presidente da ABMS – com colaboração nas discussões dada pelo professor e engenheiro Fernando Olavo Francis, que fora meu professor na pós-graduação na Universidade Federal do Rio de Janeiro”, conta Miguez, que proferiu a palestra Barragens de Rejeitos no Brasil e no Exterior logo depois.

“Nessa palestra resumi uma introdução à tecnologia atual aplicada a barragens de rejeitos com o objetivo de uniformizar os conhecimentos dos presentes. Discorri sobre os diversos tipos de barragens de rejeitos, os métodos de projeto e os processos de construção”.

De acordo com Miguez, barragens de rejeitos construídas pelo método de montante, como a de Fundão, podem ser seguras, ao contrário do que se questiona atualmente. “Logo depois do acidente, houve diversas manifestações contra este método, com a alegação de que não era seguro. O próprio estado de Minas Gerais passou a adotar o critério de não licenciar mais barragens de rejeitos feitos por método de montante”, comenta o engenheiro.

“No entanto, cerca de metade dos acidentes envolvendo barragens de rejeitos no Brasil e em outros países foram de construções que não utilizaram esse método. Além de isso disseminar a ideia de que o método de montante é pouco seguro, é atitude incorreta, pois, se o projeto for bem feito e a obra bem executada e monitorada, não há problema em construir barragens de rejeitos por esse método em regiões de sismicidade muito baixa, o que foi uma das conclusões do recente congresso da ABMS. Foi essa uma das mensagens que procurei enfatizar na minha palestra baseada em extensa pesquisa realizada pela Comissão Internacional de Grandes Barragens CIGB”.

Já o segundo dia foi dedicado às discussões sobre o que aconteceu em Mariana, efetivamente. A programação contou com a apresentação de um resumo do relatório da junta internacional de consultores contratados pela Samarco, empresa responsável pela barragem de Fundão, além de discussões sobre o projeto da barragem.

Avaliação e Resumo

Seguidas as demais palestras da programação e a sessão de perguntas e debate do segundo dia, o engenheiro Jean Pierre Rémy, da empresa Mecasolo, deu a sua avaliação sobre as discussões feitas até o momento.

“Um ano depois do acontecimento, não temos ainda informações concretas e profundas sobre o acidente com que possamos tirar as lições que nos guiem rumo a melhorar nossas práticas profissionais e evitar novas rupturas de barragens de rejeitos alteadas por montante”, esclarece Rémy, que foi presidente do Núcleo Rio de Janeiro da ABMS.

“As declarações e os relatórios divulgados até agora são insuficientes para a comunidade técnica. É o tipo de coisa que não acontece, por exemplo, com os acidentes na aviação, que costumam ser estudados com profundidade para que os erros cometidos não sejam repetidos”, critica o engenheiro. “Na engenharia, preocupa-se mais em achar culpados do que aprender com as falhas”.

No entanto, para Rémy, o fato de a comunidade técnica se mobilizar para discutir o tema é fundamental. “Mesmo com o sentimento geral de frustração por conta da falta de informações técnicas sobre o acidente, os eventos sobre segurança de barragens devem continuar”, declara. “Sinto que a comunidade técnica evolui a cada encontro, no sentido de buscar fatos que possam se transformar em lições”.

Conteúdo complementar

Ao final do evento, foram distribuídos aos participantes dois artigos divulgados na imprensa sobre o acidente em Mariana.

Um dos artigos foi o assinado pelos engenheiros Alberto Sayão e Flavio Miguez de Mello, veiculado na Revista Fundações & Obras Geotécnicas em março deste ano. O artigo recebeu o título “Barragens e Rejeitos“. O material pode ser conferido acessando aqui.

Já o artigo “As Lições de Mariana“, de autoria do reitor da PUC-Rio, Josafá Carlos de Siqueira, pode ser conferido aqui.

 

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