União das entidades técnicas pode ajudar a criar um novo modelo de desenvolvimento

quarta-feira, 06 de dezembro de 2017 comentários

A ABMS vem ampliando o diálogo com entidades técnicas ligadas à geotecnia, à infraestrutura e à engenharia de forma geral. Na visão da Diretoria da Associação, trata-se de uma necessidade, especialmente em circunstâncias como as atuais, em que as empresas de projetos, construção civil e infraestrutura passam por grave crise. Exemplo nessa direção foi o workshop “Projetos Estruturantes para a Infraestrutura Brasileira”, realizado no dia 22 de novembro, em São Paulo, em conjunto com a ABGE (Associação Brasileiro de Geologia de Engenharia e Ambiental) e o CBDB (Comitê Brasileiro de Barragens). No editorial de novembro da revista e-ABMS, o presidente da entidade, Alessander Kormann, ressalta a importância da união das entidades técnicas para que o país possa construir um novo modelo de desenvolvimento, sustentado em bases sólidas, com foco no planejamento, qualidade e na inovação, com ética e transparência.

O workshop “Projetos Estruturantes para a Infraestrutura Brasileira” foi o primeiro desdobramento da Carta Manifesto proposta em setembro deste ano, assinada pela ABGE, ABMS, CBDB e diversas outras entidades relacionadas à infraestrutura (acesse aqui a carta).

Participaram do encontro profissionais de diferentes áreas para discutir a situação da infraestrutura brasileira e os investimentos no setor. Vendo o tema ser abordado sob diferentes perspectivas, fica evidente a necessidade da união de forças por parte das associações técnicas representativas de nossa engenharia.

Tomamos conhecimento todos os dias de casos envolvendo obras inacabadas, com adendos sucessivos nos contratos que acabam por multiplicar o preço final de cada projeto. Esse quadro de profundo desalento pode e deve ser alterado, através de modalidades de contratações pautadas muito mais na qualidade técnica do projeto e no perfil profissional das empresas do que meramente no preço. Outros desafios estão relacionados à insegurança regulatória, que desestimula muitos investidores a desenvolver projetos no Brasil. Os poderes legislativo e judiciário podem e devem colaborar para que se crie o ambiente de negócios correto.

Precisamos “falar para fora” da comunidade técnica, adotando uma linguagem mais aberta e mais acessível à opinião pública e a seus formadores de opinião. Evidentemente isso envolve um posicionamento político, mas que não pode ser partidário. A vocação técnica de nossas associações sempre deve falar mais alto.

Não é tarefa para um dia, nem para um ano. Mas é preciso começar já. Com a união das entidades técnicas poderemos agir para alterar leis nefastas que contribuíram para criar o quadro atual. Podemos lutar para que as contratações ocorram com transparência e segundo critérios técnicos inquestionáveis. E para que, fundamentalmente, exista um planejamento para o desenvolvimento da infraestrutura de nosso país.

Alessander Kormann
Presidente da ABMS

 

Imagem: Natnan Srisuwan/iStock.com

 


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