Você está preparado para a retomada? O momento é oportuno para repensar o futuro, acredita Alessander Kormann, presidente da ABMS

quinta-feira, 30 de março de 2017 comentários

alessander-internaA engenharia brasileira – e o país como um todo – enfrentaram nos últimos três anos a pior crise da história. Erros na condução da economia e corrupção levaram os setores de construção e de infraestrutura à quase total paralisação. “Ao que parece, chegamos ao fundo do poço. Isso não deixa de ser uma boa notícia, pois agora a expectativa é de que o mercado se estabilize e, aos poucos, volte a crescer”, acredita Alessander Kormann, presidente da ABMS. “As condições do mercado serão distintas daquelas do período pré-crise. As empresas e profissionais que conseguirem antever as mudanças e se preparar para a retomada estarão em vantagem”. Leia a íntegra do editorial assinado por Alessander Kormann.

Grandes construtoras brasileiras estiveram sempre entre os maiores clientes das empresas de geotecnia. Movidas por investimentos públicos vultuosos, compravam nossos produtos, contratavam nossos serviços e massa crítica. O fim do ‘superciclo’ das commodities, o esgotamento do modelo de capitalismo de estado e os grandes escândalos de corrupção – tornados públicos pela Operação Lava Jato –, levaram à estagnação do mercado de engenharia como um todo. E isso, claro, refletiu-se nas empresas de geotecnia, que diminuíram de tamanho e algumas até fecharam as portas.

Estabeleceu-se um cenário de ‘tempestade perfeita’. Com o Brasil ‘quebrado’, os investimentos em infraestrutura – e muitos outros – desapareceram. Os aportes de capital estrangeiro no país diminuíram drasticamente, diante da queda acentuada dos indicadores domésticos e internacionais de confiança, bem como das avaliações das agências de rating.

Mas, como diz o ditado popular, depois da tempestade vem a calmaria. Acredito que, finalmente, estamos entrando nessa tão esperada calmaria. Porém ainda é difícil dizer quanto tempo teremos que esperar para assistir a uma nova fase de crescimento, visto que a melhora da economia depende de uma série de fatores.

O fato, no entanto, é que existem fundamentos para se acreditar que daqui pra frente o mercado voltará a se aquecer. A manutenção de uma trajetória de redução do déficit público e de controle da inflação leva à redução da taxa juros, que por sua vez promove aumento do crescimento e da confiança. Estamos falando de outro país.

Claro que há riscos, sejam eles externos ou internos. A nossa cena política ainda é elemento de incerteza. Por exemplo, no momento em que este texto é escrito, crescem dúvidas quanto à extensão da reforma previdenciária e da própria sobrevivência do atual governo, em função da aproximação do julgamento no TSE de ação que pede a impugnação da chapa presidencial eleita em 2014. Mas vamos olhar para frente.

Há bons motivos para se acreditar que, na retomada, a configuração e a dinâmica do mercado de engenharia e construção serão diferentes do que existia antes da crise. O governo não terá mais fôlego para ser o motor decisivo da economia, com o nível de investimento público se ajustando a uma nova realidade. O colapso de muitas das grandes empreiteiras deixará espaços.

Empresas estrangeiras podem vir a tomar lugar de algumas gigantes que estão impossibilitadas de operar. A imprensa vem noticiando investidas de multinacionais que miram a aquisição de grupos brasileiros de construção pesada. Outro exemplo nessa direção aconteceu no dia 16 de março, quando os leilões de concessão de quatro grandes aeroportos foram arrematados por companhias europeias com larga experiência.

Empresas nacionais de médio porte poderão encontrar oportunidades para crescimento, em terrenos onde antes o domínio de cartéis representava barreiras à sua entrada. No cenário internacional, seria um erro negarmos que a engenharia brasileira teve sua imagem arranhada. Mas há movimentos positivos que a própria crise desencadeou. A falta de obras no país tem estimulado líderes de grupos nacionais de médio porte a se interessarem pelo mercado externo de engenharia e construção. Trata-se de um movimento sutil e autêntico, diferente do que vimos quando os ‘campeões nacionais’ prevaleciam.

E espera-se que parte das grandes construtoras, hoje sob investigação, superem as dificuldades e voltem a operar no mercado brasileiro e internacional no médio e longo prazo, mas incorporando em suas políticas de governança corporativa princípios mais sólidos de compliance.

No cenário futuro, claro, poderá ocorrer um equilíbrio entre os diferentes players nesse jogo de alternativas, ou um dado modelo poderá se sobressair. Mas, o que talvez seja mais importante disso tudo, é que a leitura final é necessariamente positiva. A certeza das mudanças envolve antevermos um mercado mais aberto, competitivo, dinâmico, eficiente.

Neste momento noto o movimento de muitos profissionais geotécnicos que perderam o emprego agirem de forma empreendedora, constituindo seus próprios negócios e consultorias. Na retomada, alguns deles optarão por se reintegrar ao mercado de trabalho assalariado. Mas outros escolherão permanecer na condição de donos de seus negócios. A flexibilização da legislação referente à terceirização poderá ampliar oportunidades para esses novos pequenos empresários.

Há também muitos jovens profissionais buscando informação, mais estudo e qualificação. Eles intuitivamente sabem que agora é um bom momento para investir em si mesmos. Só posso concordar e estimulá-los a crescer, a se preparar para integrar um futuro que será estimulante.

A ABMS pode e deve contribuir muito na evolução e nas mudanças que virão. Os cursos e eventos da associação têm tido procura crescente, mesmo na fase de ‘crise’. E faz parte do DNA da nossa associação estar vigilante, defender a qualidade da geotecnia, propugnar por procedimentos claros e transparentes para que, de fato, se possa praticar a melhor engenharia daqui pra frente. Que venha a retomada, estaremos prontos!

Alessander Kormann
Presidente da ABMS
Março de 2017


Comentários


Você está preparado para a retomada? O momento é oportuno para repensar o futuro, acredita Alessander Kormann, presidente da ABMS

  1. MIRIA MACIEL disse:

    Alexander seu artigo é muito inspirador pois suas abordagens do momento do mercado é muito coerente com o que realmente temos passado. Você nós passa muita segurança e principalmente. Neste momento onde muitos pessoas estão desempregadas e fora do mercado suas palavras nos impulsionam para realmente a retomada.
    Muito obrigado hoje, e você nem imagina como seu texto nos deixa mais motivados para continuar.
    Deus nos abençoe .
    Abraços.

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