Geotecnia brasileira desponta no cenário mundial, diz Nilo Consoli, da UFRGS, no Cobramseg - ABMS
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Geotecnia brasileira desponta no cenário mundial, diz Nilo Consoli, da UFRGS, no Cobramseg

26/08/2026

Durante a Cobramseg 2026, em Brasília, Nilo Consoli, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), concedeu entrevista em que traçou um panorama do programa de pós-graduação em Engenharia Civil da instituição, hoje uma referência internacional em geotecnia aplicada à mineração. Consoli falou sobre a trajetória do grupo, o legado do professor Jarbas Milititsky e o papel decisivo do apoio da Vale para o avanço das pesquisas e a formação de novos pesquisadores.

Um legado de quatro décadas

Consoli lembrou que, há cerca de 40 anos, o professor Jarbas Milititsky iniciou na UFRGS a criação do programa de pós-graduação em Engenharia Civil voltado especificamente à área de geotecnia. Segundo ele, o programa de engenharia civil já existia havia 55 anos, mas restrito à área de estruturas: foi Milititsky quem deu origem ao núcleo de geotecnia, que cresceu significativamente desde então.

"O que ele fez é inesquecível. Ele criou esse grupo, e esse grupo cresceu muito. Vários professores já saíram dele, mas ele continua muito forte", afirmou Consoli.

Hoje, o grupo reúne cerca de 60 integrantes, entre pós-doutorandos, doutorandos, mestrandos e professores. De acordo com Consoli, são aproximadamente 11 pós-doutorandos e doutorandos, cerca de 20 mestrandos e mais seis professores.

Um dos grupos mais fortes do mundo

Consoli destacou que o programa está hoje voltado principalmente à área de mineração, impulsionado pelo patrocínio da Vale, e se posiciona entre os mais fortes do mundo no tema.

"Eu tenho, sem arrogância, que dizer que a qualidade dos alunos que a gente tem conseguido atrair, e as pesquisas que temos conseguido desenvolver graças a esses alunos excepcionais e ao suporte de empresas de mineração, nos coloca nesse alto nível", disse.

O professor citou como exemplo o trabalho com pilhas de rejeito filtrado, de até 400 metros de altura, e afirmou que, nesse tópico, o grupo da UFRGS ocupa hoje posição de destaque mundial. Segundo Consoli, a única universidade que inicialmente estava mais avançada nessa área era a University of Western Australia, com o professor Andy Fourie e sua equipe.

"Hoje em dia eu tenho orgulho de dizer que, na parte de filter stack, as pesquisas estão sendo desenvolvidas aqui na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com soluções que estão sendo adotadas, incluindo o desenvolvimento de novos cimentos e outras coisas para melhorar a estabilidade disso tudo. Ninguém no mundo tá fazendo o que nós estamos fazendo", disse.

Para Consoli, esse resultado é fruto do trabalho coletivo do grupo de pós-graduação. "Isso me dá muito orgulho, porque eu sozinho não faria 10% disso. Agora, com o grupo de alunos de mestrado, doutorado, pós-doutorado e os colegas do programa de pós-graduação em Engenharia Civil, a gente tá fazendo muito, muito mesmo. E eu fico muito feliz com isso", afirmou.

O apoio da Vale à pesquisa e aos jovens pesquisadores

Segundo Consoli, o suporte financeiro do governo federal para pesquisa na área foi reduzido drasticamente nos últimos anos, e o crescimento do grupo se deve, em grande parte, ao apoio da indústria de mineração, com a Vale como principal parceira. De acordo com o professor, esse apoio começou em 2020 e, desde então, o grupo desenvolve seis projetos de pesquisa financiados pela empresa, com bolsas para alunos de doutorado, mestrado e pós-doutorado.

"Nos últimos seis anos, o apoio tem sido de uma forma que as pesquisas vão florescendo, as publicações internacionais de altíssimo nível, resolvendo problemas, tendo soluções inovadoras", disse Consoli, acrescentando que os projetos aplicam tanto a soluções para a indústria quanto a questões teóricas que, no longo prazo, também resultam em avanços práticos.

O apoio da mineradora também se estendeu à participação dos estudantes no Cobramseg 2026. Consoli contou que o grupo da UFRGS levou à Brasília cerca de 15 pessoas, entre pós-doutores, doutores e mestres, o equivalente a 20% a 25% do grupo total, com passagens, inscrição e hospedagem custeadas pela Vale por meio dos projetos de pesquisa em andamento.

"É difícil você conseguir patrocínio para alunos e outras coisas nesse sentido. Isso é um negócio fantástico, na verdade: a gente dá oportunidade para os futuros grandes profissionais que nós vamos ter virem aqui, apresentar os seus trabalhos, ver como é esse tipo de coisa. Eu acho isso valoroso", afirmou o professor.

Consoli também destacou a importância da ABMS e do próprio Cobramseg como espaço de encontro periódico da comunidade geotécnica brasileira. "É indispensável nós termos esse órgão centralizador, que permite esse encontro para rever as pessoas, ver as pesquisas que elas estão desenvolvendo, mostrar os nossos trabalhos e também aprender com os demais que estão aqui", concluiu.

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